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29/01/2015 16:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Em funeral de promotor argentino Alberto Nisman, argentinos pedem paz e justiça

Enrique Marcarian / Reuters

Em meio a aplausos, flores e exigências de justiça e de uma “Argentina em paz” terminou o velório de Alberto Nisman, o procurador-geral que denunciou a presidente argentina, Cristina Kirchner, de acobertar os autores do atentado contra a associação judaica Amia, em 1994, que deixou 85 mortos.

O corpo de Nisman será enterrado em uma cerimônia reservada nesta quinta-feira (29) em um cemitério judeu. O promotor morreu no dia 18 de janeiro com um tiro na cabeça em sua casa, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

A data era a véspera de uma audiência no Congresso para apresentar provas de sua denúncia contra a presidente por encobrimento dos iranianos suspeitos de ter cometido o atentado. O corpo de Nisman foi velado durante toda a noite em uma funerária de Buenos Aires por sua família, que pediu uma cerimônia íntima.

Na rua, sob um forte dispositivo de segurança, dezenas de pessoas se despediram do cortejo fúnebre com velas, bandeiras argentinas, flores e cartazes com frases como “Eu sou Nisman”, “Obrigado, Nisman”, “Queremos justiça” e “Argentina em paz”. “Não quero este país nem este governo para meus filhos e meus netos. Quero uma Argentina em paz”, disse a uma emissora de TV uma mulher que se aproximou para se despedir do promotor.

Sua morte, considerada pela Justiça como 'suspeita', comoveu a sociedade argentina e provocou o maior escândalo político do mandato de Cristina Kirchner, que aumentou a confusão do caso após afirmar que Nisman não se suicidou e denunciar uma conspiração contra seu governo, orquestrada por agentes secretos.