NOTÍCIAS
26/01/2015 17:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Após 12 vítimas de balas perdidas em dez dias no Rio de Janeiro, secretário de Segurança culpa 'nação de criminosos'

Montagem/Estadão Conteúdo

Após 12 pessoas serem atingidas por balas perdidas, e três delas morrerem, no Rio de Janeiro em dez dias, o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, disse que os atos são de natureza da "verdadeira nação de criminosos que se criou no RJ".

Em entrevista concedida à Globo News nesta segunda-feira (26), o secretário classificou os criminosos como "pessoas que têm uma ideologia de facção, um desapego, uma irresponsabilidade total pela vida humana, e uma idolatria por armas, e, dentro dos seus redutos que ainda não estão ocupados, fazem uso dessas armas como quem faz uso de qualquer outro tipo de objeto".

Beltrame descartou que as mortes tenham ligação com o trabalho da polícia: "Nós não podemos atribuir ações totalmente inconsequentes, de pessoas que viveram sempre sob o estigma do tráfico, exclusivamente à polícia. Nós precisamos de uma série de outras ações dentro dessas áreas, dar perspectiva para essa juventude. O estado precisa concorrer com o tráfico em outras coisas ao invés de deixar que eles [jovens] peguem em armas".

E o Governo Federal com isso?

Beltrame afirmou que recursos que estão sendo solicitados ao Governo Federal. O secretário enfatizou a necessidade de controlar as fronteiras em relação à entrada de armas. Quando questionado se houve resultados práticos da demanda, respondeu que "até agora nada".

Entenda o cenário

Em dez dias, 12 pessoas foram atingidas por balas perdidas na capital e região metropolitana do Rio de Janeiro - três acabaram morrendo, e destas, duas vítimas eram crianças.

Segundo o G1, Larissa Carvalho, de 4 anos, morreu após ser baleada na cabeça quando saía de um restaurante com o mãe e o padrasto na Zona Oeste do Rio. No domingo (18), Asafe Ibrahim, de 9 anos, foi baleado na cabeça na área da piscina do Sesi de Honório Gurgel, no Subúrbio, e não resistiu aos ferimentos.

A última morte foi a de uma jovem na madrugada do dia 25. Foi o único caso em que há suspeita de envolvimento da polícia na troca de tiros, e ainda não se sabe se a bala responsável pela morte partiu dos traficantes ou da polícia militar.

Sobre violência no Rio de Janeiro

Pesquisa divulgada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) no último sábado (24) mostra que, só no ano passado, quase 5 mil pessoas (4.939) foram assassinadas no Rio de Janeiro. Foram 13,5 homicídios dolosos (com intenção de matar) por dia e houve um aumento de 4% em comparação a 2013.

Outro número alarmante foi o de pessoas mortas pela polícia no Estado. Registrados como "homicídios decorrentes de intervenção policial", o aumento foi de 39,9% entre 2013 e 2014 - 166 mortes a mais.