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25/01/2015 19:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Syriza, partido radical de esquerda, vence eleição na Grécia

REUTERS/Yannis Behrakis

Com 38% dos votos apurados, o Syriza, partido radical de esquerda, já é considerado o vencedor da eleição realizada hoje, na Grécia.

Apesar da vitória, ainda é incerta a quantidade de cadeiras conquistadas no parlamento grego. O Syriza tem de conquistar 151 das 300 cadeiras para indicar seu líder, Alexis Tsipras, de 40 anos, para assumir como primeiro-ministro. Até agora, o partido de esquerda tem 35,7% dos votos, contra 28,5% do Nova Democracia (ND), partido conservado do atual primeiro-ministro Antonis Samaras. Caso não consiga os 151 assentos, o Syriza terá de fazer coligações com outros partidos menores. Projeções antes da eleição apontaram que o partido de esquerda teria entre 146 e 158 cadeiras.

A eleição do Syriza é uma resposta do povo grego à crise econômica que assola o país nos últimos cinco anos. Aproximadamente 25% dos gregos estão desempregados (a taxa sobre para 60% entre os jovens), a dívida pública do país é de 175,5% do Produto Interno Bruto e a classe média sente no bolso a perda do poder aquisitivo. Para contornar a crise, Samaras conseguiu 245 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu de empréstimo; em contrapartida, criou medidas restritivas seguindo imposições da União Europeia, do FMI e do BCE.

Durante a campanha, o Syriza afirmou que não apenas se opõe ao resgate internacional da Grécia e às medidas de austeridade, mas também deseja renegociar parte da dívida assumida com bancos internacionais. Críticos afirmam que, se a Grécia não honrar seus compromissos, pode deixar a zona do euro.

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Líder da oposição, Alexis Tsipras vota em Atenas

Enquanto Tsipras votava em Atenas, ativistas do Syriza gritavam "a hora da esquerda chegou". Esta vitória da esquerda "manda uma mensagem não apenas ao povo da Grécia, mas a todos os europeus", aifrmou o porta-voz do partido, Panos Skourletis, à rede de TV Mega. "Há um grande alívio entre os europeus. A úncia pergunta é 'quão grande é esta vitória?'."

Para Skourletis, a eleição do partido significa "o retorno da dignidade e da justiça social." Ele disse ainda que "além da [do sofrimento causado pela] austeridade, a democracia estava sofrendo".

Logo que começou a apuração, a Nova Democracia, de Samaras, admitiu a derrota nas urnas. "Perdemos", disse o ministro da Saúde e porta-voz do pertido conservador Makis Voridis, à TV Mega. Ele disse ainda que as medidas de austeridade "fazem sentido", mas ainda não tiveram tempo de mostrar frutos.

O ministro da Reforma Administrativa, Kyriakos Mitsotakis, parabenizou o Syriza e disse que a vitória "não pode ser questionada". "É evidente que o povo grego acreditou que há outro caminho para seguir em frente, além daquele descrito pelo governo", disse. "Pelo bem do país, espero que ele esteja certo."

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'Começamos na Grécia, mudaremos a Europa': Apoiador de Tsipras aguarda o fim da apuração em Atenas

O QUE É O SYRIZA

A Coalizão da Esquerda Radical — ou Syriza, como é conhecida entre os gregos — é um partido novo, fundado em 2004. Depois de uma década de existência, tornou-se o grande rival da Nova Democracia, partido do primeiro-ministro Antonis Samaras. Enquanto o atual governo arca com a responsabilidade das medidas de austeridade adotadas (como aumento de impostos e cortes de gastos), o partido de Alexis Tsipras promete uma gestão em que a austeridade não faça parte.

O Syriza tem ganhado espaço desde 2012 e cresceu na crise do país, ao se mostrar com uma opção contra as medidas adotadas pelo governo de Samaras. O radicalismo de esquerda está na origem do Syriza, que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, entre outros. A vitória de hoje representa o desejo popular dos gregos em afrouxar o cinto; para o mundo, a mensagem é outra: partidos de extrema-esquerda europeus podem, sim, ganhar espaço no cenário político.

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