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25/01/2015 09:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

O que as eleições gregas significam para o resto do mundo

Reuters

A Grécia vai realizar eleições parlamentares no domingo (25), quase um mês depois de o primeiro-ministro Antonis Samaras ser forçado a convocar uma votação de emergência, pois o Parlamento não conseguiu acordo para eleger um novo presidente.

As pesquisas indicam que o partido de extrema esquerda Syriza deve receber a maioria dos votos. Se o Syriza obtiver a maioria ou fizer parte da coalizão de governo, o líder incendiário do partido, Alexis Tsipras, deve ser nomeado primeiro-ministro do país.

A popularidade de Samaras caiu significativamente desde sua chegada ao cargo, em 2012, em meio a um severo programa de austeridade imposto pela troika de credores da Grécia, composta por países da zona do euro, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.

A Grécia foi resgatada pela troika em 2010 e 2012, em pacotes de ajuda que totalizam 240 bilhões de euros (R$ 698 bilhões). Mais financiamentos serão analisados novamente em fevereiro.

Apesar de alguns avanços, o desemprego continua em torno de 26%, e a economia ainda enfrenta duras dificuldades, relata a revista The Economist.

Tsipras baseou sua campanha em uma oposição ferrenha às medidas de austeridade e jurou renegociar a enorme dívida do país. Mas os países que socorreram a Grécia, especialmente a Alemanha, se recusam a falar em perdão. O potencial impasse levanta a possibilidade de que a Grécia deixe de cumprir seus compromissos e abandone o euro, causando reverberações políticas e econômicas em todo o mundo.

Eis algumas das potenciais implicações da eleição grega para o resto do mundo:

Momento histórico para o Euro

Analistas afirmam que, apesar de retórica ameaçadora, tanto a Grécia quanto a Alemanha têm mais interesse em fechar um acordo do que permitir um calote por parte dos gregos.

Com a aproximação da eleição, Tsipras moderou seu discurso de enfrentamento, explica o The Guardian. O jornal nota que, se vencer, Tsipras vai ter de buscar um equilíbrio delicado entre as demandas dos credores e sua base política anti-euro.

Tanto Tsipras quanto a chanceler alemã, Angela Merkel, insistem que a Grécia deve permanecer na zona do euro. Se a Grécia sair, seria o primeiro país na história a abandonar a moeda única.

Tal decisão não precipitaria necessariamente a saída de outros países. “Os investidores parecem apostar que as populações da Itália, da Espanha e da França vão observar o caos em Atenas, tremer – e manter as políticas de austeridade prescritas pela alemã Angela Merkel”, escreveu a The Economist.

Mas este seria um grande passo rumo ao desconhecido para a jovem união monetária, especialmente entre as economias mais fracas da zona do euro, que têm seus próprios problemas, como Itália e Espanha.

Desestabilização da economia global

Desde a crise financeira de 2008, existem temores de que a Grécia vá dar um calote em sua dívida – a mais alta da Europa em relação ao produto interno bruto. Economistas alertam que um calote minaria a confiança em outros países endividados, levando os mercados financeiros a uma nova crise.

Mas, como nota a Bloomberg, algumas das previsões mais pessimistas foram afastadas com as garantias do Banco Central Europeu, e o pânico de uma desestabilização da economia global parece menos prevalecente na Europa.

Mas imprevisibilidade não combina com a estabilidade financeira. O The Wall Street Journal relata que a economia grega já sofre com a incerteza política que cerca a eleição de domingo.

Mais força para partidos populistas radicais

Partidos populistas de esquerda e direita estão crescendo por toda a Europa e podem receber um impulso importante com uma vitória do Syriza.

“Com partidos anti-establishment semelhantes ganhando terreno rapidamente em vários países que têm eleições marcadas para 2015, podem ser significativos os efeitos colaterais de uma instabilidade prolongada na Grécia”, alertou a The Economist Intelligence Unit, em pesquisa para a BBC. “O sentimento anti-establishment tem crescido em toda a zona do euro (e na União Europeia como um todo), e é alto o risco de rupturas políticas e crises potenciais.”

Partidos anti-establishment até mesmo juntaram forças, a despeito de visões políticas radicalmente diferentes. Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, partido de extrema-direita da França, expressou apoio aos esquerdistas radicais do Syriza apesar de suas diferenças ideológicas.

Radicalização da política externa

O Syriza também faz soar sinais de alerta em toda a Europa ao apoiar a saída da Grécia da Otan e ao criticas as sanções contra a Rússia. Entretanto, com a proximidade das eleições, o partido suavizou sua posição em relação a questões de política externa, concentrando a campanha nas questões domésticas, nota a Bloomberg: “O Syriza está sacrificando suas ambições mais revolucionárias em nome do objetivo maior de conseguir um bom acordo para o pacote de ajuda financeira para a Grécia.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.