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23/01/2015 10:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Quase 77 milhões de brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais vivem o medo de ficar sem água nos próximos meses

Montagem/Estadão Conteúdo

A região Sudeste do Brasil pede socorro aos céus. É o que resta, diante do cenário no qual tudo o que os governantes vêm fazendo é pedir economia, aplicar multas e correr atrás de obras que já deveriam estar prontas. Para quase 77 milhões de brasileiros que vivem em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – 40% da população do País –, o futuro se mostra assustador.

O cenário já enfrentado e acompanhado pelos paulistas há meses agora chegou com força para cariocas e mineiros. O uso do volume morto – reserva de água que fica abaixo da área de captação das represas – já é realidade para 9 milhões de pessoas da Grande São Paulo abastecidas pelo Sistema Cantareira. Agora quem depende do reservatório do Paraibuna, 90% formado por moradores do Rio, também beberá águas nunca antes exploradas pelo abastecimento.

Já para os mineiros, a presidente da Companhia de Abastecimento de Minas (Copasa), Sinara Chenna Meireles, anunciou que é preciso reduzir em até 30% o consumo de água, sob pena da população ficar sem abastecimento.

Para os paulistas, o governo estuda usar mais água de sistemas como a Billingsnotoriamente poluída e, desta forma, não utilizada de maneira mais efetiva em outros tempos de abundância de água – e aplicar mais multas.

Entenda a Guerra da Água


O Brasil Post te dá um bom apanhado de como está o cenário em cada um dos três Estados do Sudeste.

SÃO PAULO

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está estudando um novo reajuste da tarifa da água e um endurecimento da multa sobre quem consumir demais no Estado. A informação está na edição desta sexta-feira (23) do jornal Folha de S. Paulo. Se confirmado, o reajuste seria o segundo em quatro meses. A multa vigora há algumas semanas – após derrubada liminar que impedia a sua aplicação – e prega a tática da “lição forçada pela dor no bolso”.

Enquanto isso, a Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) insiste estar investindo R$ 6 bilhões no combate aos vazamentos na rede – os quais contribuem para os 37% de toda a água tratada que é desperdiçada todos os dias no Brasil. Essa medida, adicionada às campanhas educativas para diminuir o consumo, são as melhores a curto prazo, dizem especialistas.

As obras anunciadas no fim do ano passado pelo governo paulista não ficarão prontas em 2015. A tendência é de mais um ano com chuvas abaixo da média histórica. E a água, com base nos dados atuais, deverá acabar no Cantareira até abril, caso não chova ou grandes volumes não sejam transferidos de outros reservatórios para lá. Ou seja, a realidade não é nada amigável para os paulistas.

RIO DE JANEIRO

Criado em 1978, o reservatório do Paraibuna entrou pela primeira vez na sua história no chamado volume morto. Isso significa que, de tão seco, ele acabou com todo o seu volume útil, que é aquele usado para o abastecimento e, em certos casos, produção de energia das hidrelétricas. Restam dois bilhões de metros cúbicos desta reserva e, segundo o jornal O Globo, o pior dos cenários garante água para os cariocas até julho deste ano.

Para dar um alento à população, o secretário estadual do Ambiente do Rio, André Corrêa, justificou a situação pelo fato desta ser a pior crise hídrica do Sudeste em 84 anos. O representante do governo fluminense ainda destacou, em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, que há um plano de racionamento de água para todo o Estado, caso seja necessário. Multas sobre o consumo, como já há em SP, também podem ser usadas em breve.

E, assim como em São Paulo, a recuperação será longa e é preciso que a população não ache que a crise hídrica irá embora tão cedo. Em entrevista ao jornal Extra, o secretário-geral do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Tarcísio José Souza e Silva, disse que apenas chuvas “acima da média histórica” até 2020 poderiam recuperar os reservatórios que hoje estão a caminho da seca total.

MINAS GERAIS

“Se todo mundo continuar gastando o que estamos gastando, em quatro meses já não teremos mais nada. É preciso racionar água”. A frase é da presidente da Companhia de Abastecimento de Minas (Copasa), Sinara Chenna Meireles, e é endereçada aos mais de 19 milhões de habitantes do Estado. E não é sem razão.

Segundo reportagem do jornal O Estado de Minas, o mais importante sistema de abastecimento de água do Estado, o Paraopeba, que abastece a Grande Belo Horizonte e é composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está operando atualmente com 30,25% de sua capacidade. Há um ano, o nível era de 78%.

Para a Copasa, é preciso que a população economize pelo menos 30%. Se isso não funcionar, multas poderão ser aplicadas e o racionamento não está descartado – notadamente para as 31 cidades da região metropolitana de BH. A capital mineira, aliás, já vive com a falta de água em vários bairros, de acordo com o jornal O Tempo. A Copasa nega, uma postura que os paulistanos já viviam desde o primeiro semestre de 2014, sempre com negativas da Sabesp.

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