NOTÍCIAS
21/01/2015 21:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Acordo prevê que doleiro Alberto Youssef ficará preso por cinco anos no máximo

Estadão Conteúdo

O doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, ficará, no máximo, cinco anos preso sob acusação de ter chefiado um esquema de pagamentos de propinas e lavagem de dinheiro.

Isso é o que está previsto nos termos do acordo de delação premiada, divulgados nesta quarta-feira (21) pela Justiça Federal, segundo informações do G1.

O doleiro deverá ficar em cela especial e terá progresso diretamente para o regime aberto, sem passar pelo semiaberto. Ele deverá também transferir para a União uma série de bens, entre imóveis, veículos e participações em empresas.

O acordo foi assinado em troca de informações que podem levar à prisão de mais pessoas envolvidas nas investigações da Operação Lava Jato, e homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, em 19 de dezembro.

O ministro aprovou os termos do acordo feito pelo Ministério Público: Youssef aponta nomes de envolvidos, delitos e como obter as provas em troca de uma possível redução da pena, caso o que falou seja comprovado.

Segundo Zavascki, entre os denunciados há "autoridades com prerrogativa de foro perante à Suprema Corte".

Imóveis em oito cidades

No acordo de colaboração premiada, Youssef abriu mão em favor da Justiça de uma série de bens e imóveis em oito cidades em quatros Estados do País, incluindo terrenos e unidades de hotéis, além de veículos importados. Ele também abriu mão de R$ 1,89 milhão e de US$ 20 mil encontrados pela PF na sede da GFD Investimentos. O doleiro admitiu que todo esse patrimônio é fruto de atividade criminosa.

A extensa lista dá a dimensão do patrimônio levantado pelo doleiro, alvo principal da Operação Lava Jato e que liderou o esquema de lavagem de cerca de R$ 10 bilhões e desvios de dinheiro envolvendo fundos de pensão, obras espalhadas pelo País e, sobretudo, a Petrobras, foram anexados pelo juiz federal Sérgio Moro aos autos da Lava Jato a pedido da defesa de Youssef.

Dentre as propriedades estão: todos os bens em nome da GFD administrados pela Web Hotéis Empreendimentos; 74 unidades autônomas do Condomínio Hotel Aparecida, bem como o empreendimento Web Hotel Aparecida, em Aparecida do Norte (SP); 37,23% do imóvel do Web Hotel Salvador, na capital baiana; Web Hotel Príncipe da Enseada, localizado em Porto Seguro (BA); seis unidades autônomas do Hotel Blue Tree Premium, em Londrina (PR); 34,88% das ações da empresa Hotel Jahu S.A, em Jaú (SP); 50% do terreno do loteamento Granjas Reunidas Ipitanga, em Lauro de Freitas (BA), de 4.800m² avaliado em R$ 5,3 milhões bem com o empreendimento que está sendo construído no local; um imóvel de 300m² localizado em Camaçari (BA).

Além destes imóveis, o doleiro também abriu mão de um veículo Volvo XC60, um Wolkswagem Tiguan 2.0, ambos blindados, e de uma Mercedes Benz CLS 500. Os veículos blindados ficarão depositados judicialmente em nome das filhas de Youssef, que poderão utilizá-los como medida de segurança enquanto o pai estiver preso. Após a progressão de regime de Youssef, ou caso as filhas decidam abrir mão, os veículos serão alienados pela Justiça.

O acordo prevê ainda que a ex-esposa do doleiro fique com um imóvel dele na capital paulista, localizado no bairro Vila Nova e que suas filhas fiquem com um imóvel de Youssef em Londrina. Por fim, um imóvel do doleiro na capital fluminense, um sobrado no Campo de São Cristovão, será destinado "de forma irretratável e irrevogável" à Justiça como multa compensatória pelos delitos cometidos pelo doleiro.

No período em que ele ficar preso, o imóvel ficará apreendido sob administração da Justiça e os valores dos aluguéis do sobrado serão depositados na Justiça. Após a soltura de Youssef, será levantado o valor do imóvel e de todos os bens e valores que forem recuperados em decorrência das informações prestadas pelo doleiro na delação. Se a porcentagem de 1/50 avos do total recuperado for maior ou igual ao valor do imóvel, o doleiro ficará dispensado da multa e o bem passará para suas filhas. Caso 1/50 do total recuperado seja menor que o valor do imóvel, ele será alienado judicialmente.

Youssef também se comprometeu a informar e renunciar à União todos os valores em contas bancárias e investimentos a que tem direito no Brasil e no exterior, ainda que estejam em nome de outras pessoas físicas ou jurídicas. O doleiro ainda autorizou as autoridades nacionais e estrangeiras a acessarem todos os dados de suas movimentações financeiras no exterior, mesmo que não estejam em seu nome, como offshores e contas em nome de familiares.

(Com informações do Estadão Conteúdo)