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20/01/2015 13:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Volta do apagão: Corte de energia pode virar rotina nos próximos dias, preveem especialistas do setor de energia

echiner1/Flickr
Candle lights in the S. Domenico church, Siena (Italy). Velas en la iglesa de S. Domenico, Siena (Italia).

O corte de energia na tarde da última segunda-feira (19) colocou em pauta um tema já bem conhecido - e temido - por muitos brasileiros: o apagão.

Ontem, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) ordenou às distribuidoras CPFL, Copel e Light e Eletropaulo cortarem carga de eletricidade nas regiões Norte, Nordeste e no Sudeste.

Segundo nota oficial do operador , o apagão foi provocado por "restrições na transferência de energia", além da alta demanda por eletricidade em horário de pico.

O episódio, no entanto, preocupou especialistas do setor de energia, que preveem risco iminente de novos apagões no país. "O nível de reservatórios está crítico e situações parecidas com essa podem ocorrer nas próximas semanas", disse Cristopher Vlavianos, o presidente da Comerc, maior comercializadora independente de energia, ao site Folha.com, nesta terça-feira (20).

O fator que agrava as projeções é o aumento do consumo de energia, motivado pelo forte calor que deve continuar sobrecarregando o sistema.

"O forte calor que vem acontecendo levou a um forte consumo de energia, que chegou a bater recorde. O corte é uma espécie de defesa do sistema para evitar um blecaute generalizado", contou um técnico ouvido pelo site do jornal O Globo.

No Sudeste, o nível de armazenamento de água do sistema hidrelétrico está em torno de 18%. Para evitar um racionamento, esse nível precisaria estar em 33% até abril.

"O governo gosta de chamar de 'apaguinho' porque não demora muito. O fato concreto é que isso que aconteceu hoje [ontem] é racionamento de energia", explicou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) ao portal G1, na segunda-feira.

A volta do apagão

Poucas chuvas e falta de investimentos em geração de energia também foram as principais causas da crise do apagão em 2002. Entre 1º de julho de 2001 e 27 de setembro de 2002, o Brasil enfrentou a maior crise de energia da história, com blecautes, racionamento, redução voluntárias de consumo de eletricidade e sobretaxas nas contas de luz para quem excedia o consumo estipulado pelo governo.

Só em 2014, mais de 70 apagões foram registrados no país, entre falhas e interrupções, de acordo com um levantamento do CBIE.

Apesar disso, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Pepe Vargas, garantiu ao site Estadão.com que não há risco de apagão. "O importante é que não temos o risco de apagões por conta de falta de geração e falta de distribuição, como aconteceu no passado."

A previsão de Pepe não vai ao encontro da do professor da Coppe/UFRJ Marcos Freitas, divulgada pelo portal R7. "Sem dúvidas pode acontecer novamente. Nós precisamos de mais sofisticação e novos investimentos, tais como geração distribuída e novas fontes de geração.", explicou .

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