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17/01/2015 16:24 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Fuzilado: brasileiro é executado por tráfico de drogas na Indonésia

Divulgação

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na tarde deste sábado, 17 (0h30 de domingo, 18, no horário local) por um pelotão de fuzilamento. Ele foi condenado à pena de morte pelo governo da Indonésia por tráfico de drogas.

Suas últimas horas no corredor da morte foram no isolamento. Segundo seus advogados, ele não conseguia aceitar e não parava de chorar. A família fez sua última visita na tarde deste sábado.

Para a execução, foram destacados seis pelotões de fuzilamento - um para cada condenado. Os atiradores - 10 em cada pelotão, posicionados a 10 metros dos condenados - dispararam ao mesmo tempo. Um médico estava disponível para confirmar a morte.

Um médico atestou a morte, que foi confirmada oficialmente à 0h45 no horário local (às 15h45 em Brasília). A confirmação foi dada por Tony Spontana, porta-voz da Procuradoria-Geral do país. A execução ocorreu dentro do complexo de prisões de Nusakambangan, em Cilacap, a 400 km da capital Jacarta.

Segundo o governo local, os condenados tiveram "atendimento religioso" segundo as suas crenças. Segundo o jornal local Jakarta Post, eles estavam "conformados com seu destino" antes da execução.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o corpo de Marco será cremado na Indonésia e levado para o Brasil. Os custos correrão por conta da tia do brasileiro; o Itamaraty não pode pagar por funeral de cidadãos no exterior.

O brasileiro gravou um depoimento há quatro dias pedindo perdão. Seus amigos fizeram campanha e pediram para que o vídeo fosse distribuído e que mensagens fossem enviadas para o presidente da Indonésia, Joko Widodo, e para o ministro de Direitos Humanos, Yasonna Laoly.

Foi o primeiro caso de brasileiro executado no exterior. Nem os seis pedidos de clemência do governo federal e nem o apelo pessoal da presidente Dilma Rousseff fizeram o governo da indonésia a rever a condenação. Junto com Moreira, outros cinco prisioneiros foram executados.

Só neste ano, a indonésia deve fuzilar 20 pessoas. Lá a população apoia a pena de morte. O governo indonésio afirma que a política de tolerância zero com o tráfico de drogas é uma "mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico; não há clemência para os traficantes".

A Anistia Internacional também pediu para que o brasileiro não fosse executado. “A pena de morte é um atentado contra a vida que desumaniza a justiça e brutaliza o Estado. É inaceitável em qualquer circunstância e mais chocante quando aplicada a alguém que não cometeu crime violento”, declarou Átila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil. Segundo a entidade, em outras ocasiões no passado as autoridades da Indonésia abriram mão da sentença e entenderam que "há outras formas de aplicar a lei, sem violar direitos humanos".

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