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16/01/2015 20:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Protesto contra aumento de passagem tem confusão e bombas de gás em São Paulo

Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo

No fim da tarde de hoje (16), manifestantes voltaram a tomar as ruas de São Paulo em protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô. E assim como aconteceu na semana passada, a Polícia Militar do Estado de São Paulo e os cidadãos entraram em confronto.

O tumulto começou em frente à sede da prefeitura, quando bombas de gás foram disparadas pela PM. Houve correria e algumas pessoas passaram mal. De acordo com a corporação, o confronto se deu após o disparo de rojões por parte dos manifestantes na Praça do Patriarca. Os fogos de artifício tinham como alvos soldados da corporação. Em resposta, diz a polícia, seus homens jogaram bombas de efeito moral para conter a confusão.

Por volta das 21h30, os manifestantes começavam a se dispersar para as ruas Xavier de Toledo, Libero Badaró, sentido Largo São Bento, e sentido Largo São Francisco. Vidraças de bancos, bancas de jornal e telefones públicos foram depredados. Segundo a PM, duas pessoas ficaram feridas e ao menos oito pessoas foram detidas, um deles estaria com pedras.

A estimativa do Movimento Passe Livre, que organizou o protesto, é de que 20 mil pessoas participaram da manifestação. Já a PM avalia que 3.000 estiveram presentes. A corporação destacou de 800 a 900 homens para acompanhar o evento. Entre os soldados, um contingente da cavalaria, do choque e da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas).

Os manifestantes partiram da praça do Ciclista pouco depois das 18h, seguiriam pela rua da Consolação até a Prefeitura de São Paulo e, de lá, para a Secretaria de Transportes.

Antes de começar a caminhada, a Polícia Militar começou o envelopamento, controversa manobra que consiste na formação de um cerco aos manifestantes, mesmo sem qualquer demonstração de violência ou perigo.

Na descida da Consolação (sentido Centro), alguns manifestantes saíram do trajeto original e entraram na rua Bela Cintra, em direção à Avenida Paulista. Logo em seguida, por volta das 19h30, a PM jogou bomba de gás para conter a confusão que se iniciava. Houve correria na região do Cemitério da Consolação.

SEGUNDO GRANDE ATO

Este foi o segundo grande ato contra o aumento da passagem na capital paulista. Na sexta-feira passada, a região da Paulista foi palco de quebra-pau generalizado, com direito a cerco aos manifestantes e bombas de gás de efeito moral atiradas de maneira indiscriminada pela polícia. Ao todo, 53 pessoas foram presas.

A atuação da PM no último ato levou o representante da Defensoria Pública Douglas Magalhães a fazer um alerta à PM sobre o uso excessivo de balas de borracha e pedir que a corporação atue dentro da lei. A isso, o major Vitor Fedrizzi respondeu: "Não temos como garantir que não vamos usar bala de borracha. A PM tem suas técnicas próprias e vamos usá-las se necessário.”

Protesto contra aumento da passagem em SP

 

RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro, manifestantes foram à Candelária para pedir tarifa zero para os transportes. Por volta das 17h20, o grupo de 500 pessoas que estava em frente à Câmara Municipal saiu em passeata pelas ruas da região, acompanhados pelos advogados voluntários do Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos (IDDH). De acordo com o tenente-coronel Heitor, mais de 1 mil homens da PM foram mobilizados para acompanhar o protesto.

Os manifestantes chegaram à prefeitura. Por volta das 20h15, deixavam o local quando houve correria em frente à Central do Brasil. A PM usou spray de pimenta e revistou alguns manifestantes. A estação de metrô da Central foi fechada por algum tempo e, em seguida, liberada. De acordo com a PM, não houve prisões.

Protesto contra o aumento de passagem no Rio

 

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