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Depois do atentado contra Charlie Hebdo, o que vai ser da revista? As mídias se mobilizam pela sobrevivência do semanário

09/01/2015 08:24 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Charlie Hebdo

Fazer tudo para que o Charlie Hebdo sobreviva. Esta é a palavra de ordem lançada por vários grupos de imprensa e personalidades públicas depois do atentado contra a redação do semanário satírico.

Os assassinos, ainda procurados pela polícia, mataram doze pessoas, entre elas o diretor da publicação, Charb, e dois de seus fundadores, Cabu e Wolinski, e a questão agora é o futuro do jornal.

“A burrice não vai vencer”

Um dos cronistas regulares da publicação, o médico emergencialista Patrick Pelloux, disse na quinta-feira (8) à AFP que a próxima edição estará nas bancas. “Vamos continuar, decidimos sair na semana que vem. Estamos todos de acordo”, assegurou ele. “É muito duro, todos temos nosso sofrimento, nossa dor, nossos medos, mas vamos fazê-lo assim mesmo, porque não é a burrice que vai ganhar. Charb sempre dizia que o jornal devia sair, custasse o que custasse”, afirmou Pelloux.

O redator-chefe, Gérard Biard, indicou à AFP que a equipe do jornal se reuniria na quinta ao meio-dia. “Alguma coisa sairá” na semana que vem, “ainda não sabemos em que forma”, explicou ele. Pouco mais tarde, o advogado Richard Malka anunciou que a edição será publicada na quarta-feira (14) e terá tiragem de 1 milhão de exemplares.

A desaparição do Charlie é inconcebível para o governo

Mas, para além do próximo número, que será obrigatoriamente excepcional, será que o Charlie Hebdo consegue continuar sem seus principais membros? Uma eventual desaparição do jornal do cenário midiático é impensável para a ministra da Justiça, Christiane Taubira. “É evidente que não é possível conceber a desaparição do Charlie Hebdo. Primeiro porque ele era parte do cenário, segundo porque sua desaparição seria uma vitória dos criminosos, mesmo que eles sejam presos e condenados à prisão perpétua. O Charlie Hebdo deve continuar no cenário”, disse ela na quinta-feira, 8 de janeiro, à France Info.

Questionada sobre a intenção do governo de ajudar a publicação financeiramente, Christiane Taubira respondeu: “Você deve imaginar que haveria questionamentos sobre o fato de o governo se responsabilizar pela ajuda ao Charlie. Mas, se você pensar numa ajuda pública, sim, acho que seria perfeitamente justificada”.

Na véspera, a ministra da Cultura, Fleur Pellerin, recebeu os donos de empresas de mídia impressa e audiovisual, que foram declarar sua “solidariedade e sua vontade de apoiar o Charlie Hebdo”, relata a AFP. Na reunião, da qual participaram também sindicatos de jornalistas, as personalidades presentes decidiram se reunir novamente para garantir a publicação da próxima edição do semanário. “O Charlie tem de sair, não fazê-lo seria uma abdicação”, declarou Emmanuel Hoog, presidente da Agence France Presse. “Temos uma missão: nos organizar para garantir que o próximo número do Charlie seja publicado.”

E, nesta quinta-feira, o fundo “Imprensa e Pluralismo” e o “Fundo de Inovação Digital da Imprensa”, financiado pelo Google, anunciaram um investimento de 500.000 euros para que o Charlie Hebdo continue a ser publicado.

Em termos de ajuda logística, três empresas já ofereceram “recursos humanos e materiais” para o Charlie Hebdo. A Radio France, o Le Monde e a France Télévisions convidaram, num comunicado conjunto, “todas as mídias francesas [...] a se juntar na preservação dos princípios de independência e de liberdade de pensamento e de expressão, garantias da nossa democracia”. O grupo Lagardère também se uniu a essa iniciativa.

Os cartunistas também estão mobilizados para o próximo número. A equipe do Siné Mensuel "decidiu se colocar à disposição do Charlie Hebdo", diz o L’Humanité. “Desde ontem, Berth, Lindingre, Kap, Jiho, Jean-Marie Laclaventine, Yanis Youlountas, Willis de Tunis, Siné (de seu quarto de hospital),... enviaram textos e desenhos”, diz o jornal.

Apelo por assinantes

Outras personalidades públicas, assim como anônimos, igualmente desejam contribuir, assinando o Charlie Hebdo. O presidente do Conselho Geral de Essonne anunciou via Twitter que vai fazer 42 assinaturas para seus conselheiros.

Enquanto aguardam a volta do site do Charlie Hebdo, os internautas são convidados a visitar a plataforma Viapresse.com para fazer uma assinatura.

Já em 2011, depois de um incêndio criminoso destruir a redação do Charlie Hebdo, o jornal pôde contar com a solidariedade dos colegas. Charb e sua equipe foram acolhidos na sede do Libération durante dois meses.

Com a AFP

Este artigo foi originalmente publicado pelo Le HuffPost e traduzido do francês.

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