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06/01/2015 13:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Visto em aula do Passe Livre em SP, Frederico Haddad rebate ideias do MPL e aponta ganhos, mesmo com aumento de R$ 3,50

Uma ‘presença ilustre’ chamou a atenção de quem acompanhou a aula pública promovida na última segunda-feira (5) pelo Movimento Passe Livre (MPL), no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. Frederico Haddad, filho do prefeito Fernando Haddad, foi reconhecido e preferiu não conceder entrevistas, como noticiou a Folha de S. Paulo nesta terça-feira (6). Ele preferiu defender a política para o setor, adotada pelo pai, em sua página no Facebook.

“Aumentar a tarifa é bom? Lógico que não. Mas será que no quadro concreto piorou ou melhorou? Fica a pergunta e o anseio por um debate mais profundo de uma questão de alta complexidade, que não combina com uma visão binária. Principalmente se adotada por quem luta por mais direitos”, escreveu Frederico ao final do post, intitulado “Tarifa e Direitos: Uma Via de Muitas Mãos”.

Ao longo da sua argumentação, o filho do prefeito de São Paulo bateu de frente com o que prega o MPL em vários aspectos. Ele comentou que os protestos de 2013 não provocaram a revogação da tarifa – como defende historicamente o Passe Livre –, mas proporcionaram o debate do sistema de transporte público na cidade, o que levou a uma auditoria independente contratada pelo governo municipal, a qual apontou vários problemas.

Entretanto, Frederico não aprova o que chama de “lógica binária” com a qual o tema é tratado quando se discute a tarifa e, consequentemente, o aumento da passagem na capital de R$ 3,00 para R$ 3,50, que passou a vigorar nesta terça-feira. Como já fez o pai em várias ocasiões em dois anos de gestão, ele apresenta o aumento dos custos das empresas, seja com salários ou com o diesel, como impeditivos para impedir o aumento.


“A gordura, por muitos esperada para congelar ou diminuir a tarifa, não se confirmou. Assim, para além da incongruência de se propor tarifa zero através da diminuição do lucro das empresas, que vem justamente da tarifa, aparece outro problema. Para manter a tarifa congelada sem uma fonte de financiamento externo (como a já proposta municipalização da CIDE), mesmo que seja reduzida em muito a taxa de retorno (chegando aos desejáveis 10%), a parcela do orçamento que subsidia a tarifa, já próxima dos R$ 2 bilhões, teria que continuar aumentando ano a ano. Sim, aquela história de menos dinheiro pra educação, saúde, moradia e para a própria melhoria do transporte urbano como um todo”, afirmou.

Por fim, o post defendeu mais uma vez mudanças em âmbito federal para o financiamento do transporte – como Fernando Haddad não se cansa de dizer – e valorizou os ganhos que já existem para setores da sociedade, como os trabalhadores formais usuários dos bilhetes únicos mensal, semanal e diário (nestas modalidades, a tarifa segue congelada em R$ 3,00), e os estudantes de escolas e universidades públicas, beneficiados com o chamado passe estudantil.

“A defesa de direitos, sobretudo desse grupo, não pode jamais se limitar ao debate exclusivo da tarifa. Também vale a lembrança de que, além dos que utilizam intensamente o sistema, e poderão se beneficiar do congelamento do bilhete mensal, semanal e diário, muitos desses trabalhadores têm filhos na escola pública e também ganharão com a implementação do passe livre”, completou.

Segundo a Rádio Estadão, Frederico Haddad não irá ao protesto marcado pelo MPL para a próxima sexta-feira (9), às 17h. É o primeiro ato voltado para a questão tarifária em São Paulo desde junho de 2013. Para os integrantes do Passe Livre, a lógica que contraria o interesse popular – e aqui entra a defesa pela tarifa zero para todos os cidadãos – continua vigente, o que foi tema central na aula pública realizada na segunda-feira.


Com manifestações marcadas em pelo menos dez cidades do País contra aumentos da tarifa do transporte pública, a discussão (e concordância) sobre o assunto estão longe do fim.

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