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28/12/2014 09:22 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Avião da AirAsia com 162 passageiros a bordo some entre Indonésia e Cingapura

REUTERS/Olivia Harris

Um Airbus A320-200 da companhia AirAsia sumiu do radar na noite de sábado (27) enquanto fazia a rota entre Surabaya (Indonésia) e Cingapura, informaram as autoridades locais. Estavam a bordo 162 pessoas.

A companhia aérea informou que a aeronave transportava 155 passageiros — sendo 16 crianças e um bebê — e sete tripulantes — dois pilotos, quatro comissários e um engenheiro. Ainda segundo a AirAsia, 149 são indonésias, três sul-coreanas, uma do Reino Unido (sem especificar o país), uma malaia e uma de Cingapura.

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No painel do Aeroporto de Changi, em Cingapura , o status do voo QZ-8501 é "Vá ao balcão de informações"

O voo, de número QZ8501, decolou de Surabaia às 5h35 locais, com previsão de aterrissar em Cingapura às 8h30. De acordo com o Ministério de Transporte indonésio, poucos minutos depois da decolagem, os pilotos pediram para mudar a rota do voo para evitar o mau tempo na região do sudoeste da ilha de Bornéu; em seguida, com 42 minutos de voo, perderam o contato com as torres de controle.

"Não podemos confirmar o que aconteceu, exceto pelo fato de que o avião perdeu o contato com as torres de comando", disse o diretor-geral de transportes da AirAsia. Segundo um comunicado da direção de aviação civil de Cingapura, o contato foi perdido no espaço aéreo indonésio "200 milhas náuticas [aproximadamente 350 quilômetros] a sudeste da fronteira entre as regiões de informação de voo de Jacarta e Cingapura".

O último contato com o controle de tráfego teria sido às 6h13 do horário local. A força aérea da Indonésia fazia buscas neste domingo (28), que foram posteriormente suspensas devido à escuridão. A operação deve prosseguir às 6 horas (horário local) desta segunda-feira (29). Para as buscas, foram destacados um Boeing das Forças Armadas, três helicópteros e seis barcos, além de um Hércules C130 de Cingapura.

Atá o momento, não foi encontrado qualquer vestígio que possa esclarecer o que aconteceu com a aeronave, segundo as autoridades. Enquanto isso, a AirAsia presta atendimento aos familiares e atualiza as informações em suas redes sociais — inclusive, mudou o logo e trocou a característica cor vermelha pelo cinza.

O A320 é da família da Airbus, que hoje tem mais de 6 mil aeronaves em operação. A Airbus deu uma declaração em que afirmou que o avião desaparecido saiu da linha de produção de 2008 e tinha aproximadamente 23 mil horas de voo distribuídas em cerca de 13,6 mil voos. A empresa disse ainda que prestará ampla assistência à investigação das causas do desaparecimento.

A AirAsia foi construída a partir de dois aviões em 2001 para se transformar em uma gigante do setor aéreo que opera mais de 180 aeronaves em pouco mais de uma década. Hoje, 49% da AirAsia pertencem à AirAsia Bhd, baseada na Malásia, com investidores locais detendo o restante. O sonho para a companhia e seu chefe, Tony Fernandes, se transformou em pesadelo com este evento. "Este é o meu pior pesadelo. Mas não há como parar", escreveu Fernandes em sua conta no Twitter."Eu, como seu presidente-executivo, estarei lá durante todo esse período difícil. Vamos atravessar essa terrível provação juntos."

"Tony Fernandes e AirAsia são tidos em alta conta na indústria de aviação. A companhia aérea é muito bem-sucedida e tinha um excelente histórico de segurança", disse John Strickland, diretor da JLS Consulting, baseada em Londres, à Reuters. O grupo AirAsia teve um registro de segurança praticamente imaculado até este domingo, em comparação com concorrentes como Malaysia Airlines e as indonésias Lion Air e Garuda Indonesia, que perderam vários aviões em acidentes ao longo da última década.

No perfil oficial da Malaysia Airlines no Twitter, a companhia que passou por experiência semelhante neste ano, prestou solidariedade às famílias dos desaparecidos.

No dia 8 de março, um Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu no Oceano Índico, quando fazia voo entre Kuala Lumpur e Pequim. A bordo estavam 239 pessoas. Quatro meses depois, outro Boeing 777 da companhia, agora com 298 passageiros que voavam de Amsterdã para Kuala Lumpur, capital da Malásia, foi alvejado por mísseis terrestres disparados por russos e caiu em Donetsk, no leste da Ucrânia, região de conflito entre o governo ucraniano e rebeldes pró-Rússia.

Queda do Avião da Malaysia Airlines

 

ATUALIZAÇÃO ÀS 11:24: O texto foi atualizado com a correção das nacionalidades dos passageiros feita pela AirAsia em seu Facebook. Também foram inseridas a declaração da Airbus e a informação sobre buscas suspensas. ATUALIZAÇÃO ÀS 13:34: O texto foi atualizado com a inserção dos tweets de Tony Fernandes e do trecho extraído da Reuters.