COMPORTAMENTO

5 inovações da 'geração baby boomer' que mudaram o sexo para sempre

26/12/2014 12:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02
Shutterstock / Panosgeorgiou

Sim, acredite, havia uma época em que todos esperavam até a noite de núpcias para praticar o coito. E, mais chocante do que isso: sim, era assim que eles chamavam o ato sexual. Sério. Tudo o que hoje em dia se passa em nossos quartos mudou radicalmente desde que os baby boomers (os nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial, entre 1943 e 1960) cresceram – incluindo o fato de que "o que fazemos em nossos quartos" não fica apenas em nossos quartos. O sexo transbordou para os nossos balcões da cozinha, nossas praias e até para o banco da frente de nossas Ferraris, se acreditarmos nas histórias de O Lobo de Wall Street.

Apesar dos boomers não terem inventado o sexo (da forma como nós fizemos com a Internet), certamente nós forçamos seus limites e alteramos a forma como ele é feito, com quem, quando e onde, e até mesmo o porquê.

Aqui estão cinco coisas que os boomers fizeram para mudar o curso da história do sexo:

1. Para os boomers sexo ‘fora de casa’ era ok

O quê? Vocês achavam que Woodstock era só sobre música? Desculpe desapontá-los, mas ninguém estava prestando atenção em Jimi Hendrix. É isso mesmo. Enquanto o Hall da Fama do Rock and Roll desconhece a contagem dos bebês nascidos nove meses depois, 1967 não ficou conhecido como "O Verão do Amor" por causa da canção de Ritchie Havens, Freedom.

A liberdade estava no centro de tudo. Em 1965, cinco anos após a aprovação, pelo FDA, do contraceptivo oral, 6,5 milhões de mulheres americanas estavam tomando anticoncepcionais, tornando essa a forma mais popular de controle de natalidade nos EUA e liberando toda uma geração do medo de uma gravidez indesejada.

2. Os boomers tornaram o sexo ‘dentro de casa’ mais interessante

Alguém se lembra do Plato's Retreat? Nem eu. Este era o mais notório clube americano de swing, símbolo da atmosfera de sexo livre da era pré-AIDS, na cidade de Nova York. Usar roupa era algo opcional e apenas casais podiam entrar no lugar (embora eles fossem encorajados a se misturarem) e a peça central da experiência era um "mat room" (ou ”quarto-tatame”) público para sexo exibicionista. Ir nesse tipo de quarto ganhou um significado totalmente novo, quando Plato abriu em 1977.

A AIDS, é claro, mudou tudo isso.

3. Os boomers levaram "honrar o próximo" a um nível bíblico

Muito antes das chaves do carro requisitadas por quem bebeu demais nas festas, os clubes de swing suburbanos, em 1970, as recolhia por um motivo bem diferente. Quando entravam na festa, os homens depositavam suas chaves do carro em uma tigela na porta da frente. Na saída, as mulheres pescavam um par de chaves da tigela e era com os donos dessas chaves que elas iam para casa. Os boomers, assim, inventaram o swing americano.

Uma reportagem da revista Psychology Today de 2013 apelidou o estudo de Gilbert D. Bartell, de 1971, de "o olhar mais profundo sobre a cultura do swing até o momento". Eis o que Bartell encontrou: de 1 a 2 milhões de swingers americanos, estimados no estudo, a maioria era composta por moradores de subúrbios de classe média. Um fato descoberto que serve apenas para nos divertir é que uma enorme quantidade — 42% dos homens que frequentava os clubes de swing — era composta por vendedores. Mais de três quartos das mulheres que frequentavam as casas de swing eram donas de casa, a maioria tinha crianças. Ao contrário do que alguns críticos acreditavam, os swingers tendiam a ser antidrogas e "anti-hippies," ou seja, eles não eram de forma alguma alinhados com o estilo de vida ou com os valores da contracultura. Bartell descobriu que o swing era algo bem diferente do "amor livre" da revolução sexual, e seus defensores tinham pouco a ver com os rebeldes e a contestação da cultura jovem. Acima de tudo, eles só queriam ter relações sexuais com alguém que não fosse seu cônjuge.

4. Os boomers mudaram a linguagem do sexo

Chamar sexo de "coito" ficou obsoleto bem antes do episódio da Monica Lewinsky com Bill Clinton. Enquanto o ex-presidente americano "não teve relações sexuais com essa mulher", o termo usado para sacanagem (por volta de 1977) costumava ser “balling” (o equivalente a “trepar”) na década de 1960. Durante algum tempo, as mulheres eram "boinked" ou "porked", ou seja, eram "comidas". Às vezes, víamos o termo "ser nocauteada" ou "ferrada" e, ocasionalmente, as mulheres ganhavam uns "tapas e beijos." Hoje as pessoas "ficam". E, é claro, a palavra com F tem existido desde os homens das cavernas e provavelmente ainda é a mais usada.

5. Os boomers mudaram os rituais de namoro

Porque nos atrapalhamos tanto com eles, obviamente! Além de inventarem a internet, o que tornou possível a existência dos sites de namoro, os boomers revolucionaram a forma como lidamos com o namoro. Nós podemos ter originado “o sexo casual”, mas nós sempre tivemos problemas com relacionamentos duradouros. Talvez o péssimo ambiente nos bares e as pessoas com quem nossas mães nos arranjavam encontros amorosos foram apenas o beijo da morte no namoro. Admita: se alguém hoje se arrastar até perto de você no bar e perguntar qual é o seu signo, você provavelmente vai querer sair correndo, certo? Sim, é muito mais seguro sentar-se com o seu tablet e ficar escolhendo possíveis paqueras no Tinder.

Hoje em dia você vê o perfil de alguém e segue essa pessoa no Twitter. Você vai dar uma olhada no seu perfil do Instagram e vê quem são seus amigos no Facebook. Um dos pontos altos para a venda de alguns aplicativos de namoro é que eles mostram se você tem amigos em comum, de modo que você gasta alguns minutos investigando em tempo real. O resultado é que muito antes de você conhecer a pessoa, você conhece sua identidade virtual, que como um amigo mais jovem observou, por vezes, é totalmente fora da realidade da pessoa.

Ainda assim, acho que provavelmente é melhor do que colocar suas chaves em uma tigela.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.