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24/12/2014 14:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Agência dos EUA propõe fim da proibição de gays doarem sangue. Desde que não transem por 1 ano!

Thinsktock/Getty Images

A Administração de Alimentos e Medicamentos do governo dos Estados Unidos informou nesta terça-feira que vai recomendar o fim da proibição perpétua de gays e homens bissexuais doarem sangue. Essa política, que já existe há 31 anos, seria substituída por uma proibição para homens que fizeram sexo com outros homens nos últimos 12 meses.

A proposta será apresentada formalmente no começo do ano que vem e depois será aberto um debate público, para só então o governo norte-americano anunciar uma decisão.

Muitos grupos médicos e ativistas gays dizem que a proibição perpétua para homossexuais masculinos doarem sangue não faz mais sentido, dados os avanços nos testes para identificação do HIV. Todas as doações são testadas para verificar a presença de HIV, mas isso não é totalmente seguro, pois o vírus só é detectado após estar na corrente sanguínea por cerca de dez dias.

A proposta de mudança, porém, não agradou todo mundo.

"Alguns acreditam que esse é um avanço, mas na verdade exigir celibato de um ano é uma proibição perpétua de facto", comenta o grupo Gay Men's Health Crisis, que trabalha na prevenção e tratamento da AIDS.

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A proibição perpétua data dos anos iniciais da crise da AIDS e visava proteger o estoque de sangue de uma doença até então pouco compreendida. Atualmente muitos grupos, incluindo a Associação Médica Americana, dizem que essa política não tem mais respaldo científico.

Países como Austrália, Japão, Reino Unido e muitos outros já mudaram para uma quarentena de um ano.

Outro fator que contribui para a decisão são estudos que mostram que os homens gays e bissexuais provavelmente cumpririam melhor a proibição de um ano, já que atualmente muitos mentem sobre sua preferência sexual nos questionários para poder doar sangue.

A Cruz Vermelha americana estima que o risco de pegar AIDS por meio de uma transfusão de sangue é de uma em 1,5 milhão. Cerca de 15,7 milhões de doações são coletadas no país por ano. A mudança na proibição sobre os gays poderia aumentar o estoque de sangue de 2% a 4%, ao tornar mais 2 milhões de pessoas elegíveis para doação, de acordo com uma pesquisa da universidade UCLA.

Fonte: Associated Press. Tradução: Estadão Conteúdo.