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23/12/2014 13:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Satélites mostram 290 locais de patrimônio cultural atingidos por guerra na Síria (FOTOS ANTES E DEPOIS)

BEIRUTE (Reuters) - Imagens de satélite indicam que 290 locais de patrimônio histórico-cultural da Síria, cuja história vem desde o início da civilização, foram danificados pela atual guerra civil, de acordo com relatório publicado pelo Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar, na sigla em inglês) nesta terça-feira (23).

O patrimônio cultural da Síria atravessa os grandes impérios do Oriente Médio. A região também sempre esteve na passagem entre o Oriente e o Ocidente.

Usando imagens de satélite disponíveis comercialmente, o Unitar encontrou 24 locais completamente destruídos, 189 danificados de forma severa ou moderada, e outros 77 que foram possivelmente danificados.

Locais e construções pelos país, como a mesquita Umayyad, de Aleppo, têm sido saqueados, danificados ou destruídos nos três anos de conflito.

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Montagem com imagens do centro histórico de Aleppo, uma das cidades mais antigas do mundo, antes e depois da guerra civil. No alto à esquerda, no local do antigo hotel Carlton há hoje crateras. O minarete da mesquita Umayyad (embaixo, à direita) foi destruído e partes da muralha e do pátio central sofreram danos. (Fotos: US Department of State, Humanitarian Information Unit, NextView License - DigitalGlobe)

Essa é uma “evidência alarmante do processo de destruição que está ocorrendo com o vasto patrimônio cultural sírio”, afirma o Unitar em relatório.

"Os esforços nacionais e internacionais para proteger as áreas precisam ser intensificados para salvar para a humanidade a maior quantidade possível desse importante patrimônio.”

Os confrontos entre as forças do presidente Bashar al-Assad e os diversos grupos rebeldes, entre eles o Estado Islâmico, têm danificado locais considerados Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, como as tumbas na cidade de Palmyra, no deserto, e templos romanos.

Os dois lados do conflito têm usado fortalezas antigas como bases militares. O Exército colocou atiradores na Cidadela de Aleppo, um dos maiores e mais antigos castelos do mundo.

Já forças insurgentes controlaram o Crac des Chevaliers, uma das mais bem conservadas fortalezas da época das Cruzadas, de 900 anos atrás. O Exército retomou o local em março, depois de meses de bombardeio.

As imagens de satélite também mostram que locais em Raqqa e na cidade milenar de Palmyra também foram bastante danificados, assim como a cidade de Bosra, com um dos teatros romanos mais preservados do mundo, e assentamentos abandonados do período bizantino.

Insurgentes sunitas radicais destruíram locais que eles consideravam heréticos.

Maamoun Abdulkarim, responsável pelo museus na Síria, disse à Reuters no ano passado que dezenas de milhares de artefatos de até dez mil anos de história haviam sito removidos para depósitos para não serem saqueados.

Entretanto, alguns sítios arqueológicos estão em regiões atualmente controladas pelo Estado Islâmico, que, em troca de dinheiro, permite que contrabandistas roubem objetos antigos. De acordo com a Unesco, o contabando poderia render até US$ 7 bilhões ao Estado Islâmico, recursos que servem para o grupo financiar suas atividades extremistas. O Estado Islâmico atua tanto na Síria quanto no Iraque e é responsável pelo degolamento de diversos estrangeiros, sírios e iraquianos em 2014.

Segundo a ONU, mais de 200 mil pessoas foram mortas no conflito civil da Síria, que teve início em março de 2011.

No site do Unitar, é possível ver outras montagens dos principais sítios arqueológicos e monumentos sírios antes e depois da destruição.

(Reportagem de Oliver Holmes)

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