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16/12/2014 10:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ações da Petrobrás caem quase 10%; Dilma já cogita nomes para substituir Graça Foster

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Brazilian President Dilma Rousseff attends an Economic and Social Development Council (CDES) meeting at Planalto Palace in Brasilia on April 16, 2014. Rousseff, who faces problems with the controversial purchase of an oil refinery in Pasadena, Texas, US, by Petrobras in 2006, when she chaired the state firm's board of directors, promised on April 14 authorities would carry out a thorough and complete probe of alleged money laundering at the state oil giant Petrobras. AFP PHOTO/Evaristo SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

As ações da Petrobras caíram quase 10% nesta segunda-feira, 15, na Bolsa de Valores, fazendo o papel chegar a um dos menores níveis dos últimos dez anos. Enquanto a crise se aprofunda, a presidente Dilma Rousseff, mesmo a contragosto, já começa a avaliar nomes para substituir Graça Foster, presidente da estatal.

De acordo com a Folha, um dos nomes possíveis é o do atual presidente da Vale, Murilo Ferreira. Outro nome que já apareceu em notas de jornais é o de Henrique Meirelles, ex-diretor do Banco Central do Governo Lula, que era o preferido do ex-presidente para o Ministério da Fazenda, mas, segundo os jornais, não teve o aval de Dilma.

Dilma gostaria de manter Graça Foster no cargo, mas isso pode se tornar inviável depois que a ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca afirmou ter alertado Graça de irregularidades em contratos da empresa. Venina deverá depor à Polícia Federal em Curitiba nos próximos dias, como parte das investigações da Operação Java Jato, e pode fazer novas revelações.

Por outro lado, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Graça é vista no Palácio do Planalto como uma espécie de escudo de Dilma contra o escândalo na Petrobras, destinada a impedir que a crise saia da empresa e atinja o gabinete presidencial com toda força. Ela seria a primeira linha de defesa contra acusações de má gestão e conivência com as irregularidades na estatal dirigidas a Dilma.

Petrobras: Graça só foi alertada sobre desvios este ano

A Petrobras disse em nota que a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, não foi informada sobre irregularidades na petroleira pela funcionária Venina Velosa Fonseca antes do dia 20 de novembro de 2014.

O novo comunicado é mais um esclarecimento a reportagens que dizem que a diretoria da Petrobras, incluindo a presidente, foi alertada de "desvios" na empresa.

Segundo reportagens publicadas na imprensa nos últimos dias, a presidente da Petrobras teria sido alertada sobre irregularidade na estatal antes das descobertas decorrentes da operação Lava Jato, da Polícia Federal, lançada este ano. Com essas reportagens, aumenta a pressão política para que a presidente da Petrobras deixe o cargo.

Segundo a Petrobras, os e-mails encaminhados por Venina em 2009 e 2011 à então diretora de Gás e Energia, hoje presidente da Petrobras, não explicitaram irregularidades relacionadas à Refinaria do Nordeste, à área de Comunicação do Abastecimento e à área de comercialização de combustível de navio.

Dois meses após a posse da presidente, no início de 2012, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do esquema de corrupção, entregou sua carta de demissão, disse a estatal.

Acionistas estrangeiros derrubam ações da Petrobras

A forte queda dos papeis da Petrobras em um único dia foi puxada principalmente pelos acionistas estrangeiros.

No começo do pregão de ontem na bolsa brasileira, as ações caíam quase 2% segundo Ricardo Kim, da XP Investimentos, e assim que os mercados nos EUA abriram, onde parte das ações da estatal é negociada, começou a derrocada.

Na Bolsa de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobrás caíram 12,1%, fechando a US$ 6,08, o valor mais baixo desde março de 2003.

No Brasil, as ações preferenciais chegaram a R$ 9,18, com queda de 9,2% e atingindo a mínima desde janeiro de 2005, enquanto a ação ordinária, com direito a voto, fechou a R$ 8,52, queda de 9,94%, menor preço desde agosto de 2004. Com variação de cerca de 10% durante a sessão, a venda dos papéis da Petrobrás foi interrompida e eles entraram em leilão.

A empresa prometeu que, na sexta-feira, 12, divulgaria seu balanço do terceiro trimestre e não o fez. Publicou apenas um fato relevante, com alguns números de sua operação, e fez uma nova promessa: a de que fará o que for preciso para manter seu caixa e assim pagar suas dívidas sem precisar recorrer a financiamentos em 2015.

"Uma boa promessa, mas difícil de ser mantida", resumiu o banco Credit Suisse em relatório dos analistas Andre Sobreira e Vinicius Canheu.

"Para ganhar a confiança do investidor, a Petrobrás terá de dar muitos detalhes trimestre a trimestre de que é capaz de fazer isso. Sem conversa fiada", disseram os analistas, lembrando das tantas promessas não cumpridas pela companhia, como metas de produção não alcançadas, mudanças de fórmulas de preços da gasolina que não foram feitas, além do fato de a empresa não ter publicado o balanço.

Os analistas dizem que a forte venda dos papéis se deu ainda por causa da alta do dólar ante o real, que eleva a dívida de US$ 135 bilhões da Petrobrás. Também pela intensificação do noticiário negativo para a companhia relacionado às denúncias de corrupção e por causa da queda dos preços do petróleo.

Baixa do petróleo coloca em risco projetos de exploração

Pelos cálculos do Goldman Sachs quase US$ 1 trilhão em projetos no setor estão em risco por causa do recuo da cotação do petróleo, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. O banco Morgan Stanley não descarta a possibilidade de os preços flertarem com o patamar de US$ 40, o que poderia inviabilizar novos projetos de extração em países como Estados Unidos, Canadá e Brasil.

Ontem, o preço do petróleo estimado para janeiro foi negociado a US$ 55,91 o barril do petróleo WTI, cotado em Nova York, e o Brent, de Londres, para o mesmo mês foi avaliado em US$ 61,06.

As empresas do setor estão cortando custos, renegociando dívidas, reduzindo investimentos e até diminuindo seus quadros.

No Brasil, a Petrobrás diz que está tomando medidas para manter o caixa sem ter de recorrer a empréstimos. A empresa tem R$ 30 bilhões em dívidas vencendo em 2015 e um plano de investimentos de R$ 100 bilhões. Seu caixa em setembro era de R$ 62 bilhões.

A Petrobrás precisa publicar o balanço anual até 30 de junho, que dependerá do resultado das investigações internas que estão sendo feitas. A auditoria só dará seu aval após essa apuração.

Se não publicar o balanço, terá de pagar antecipadamente US$ 50 bilhões em dívidas, além das que já venceriam em 2015. O HSBC estima que a empresa ficará sem caixa no quarto trimestre de 2015.

Com informações de Estadão Conteúdo e Dow Jones Newswires.

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