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15/12/2014 11:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Atividade econômica brasileira recua 0,26% em outubro, aponta Banco Central

MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO
SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira iniciou o quarto trimestre em queda depois de ter saído da recessão técnica em setembro, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira, num resultado inesperado que mostra a dificuldade da economia de recuperar o fôlego.

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) recuou 0,26 por cento em outubro sobre o mês anterior.

Analistas consultados pela Reuters esperavam alta mensal de 0,20 por cento em outubro, de acordo com a mediana das projeções, sendo que a mais baixa delas apontava para variação zero no período.

No acumulado do ano até outubro, o IBC-Br mostra a economia praticamente estagnada, com leve queda de 0,09 por cento.

Na comparação com outubro de 2013, o IBC-Br tem recuo de 0,87 por cento, acumulando alta de 0,26 por cento em 12 meses, ainda de acordo com dados dessazonalizados do BC.

A economia brasileira saiu da recessão técnica no terceiro trimestre com uma expansão mínima de 0,1 por cento sobre os três meses anteriores, segundo dados do IBGE, destacando a dificuldade do país em imprimir recuperação mais consistente.

Em outubro, a produção industrial ficou estagnada, com mau desempenho em todas as categorias. E o desempenho das vendas no varejo no mesmo mês, embora tenham subido 1 por cento, ainda foi insuficiente para representar melhor recuperação do setor.

O Brasil tem vivido um quadro de inflação alta, baixo crescimento e juros elevados, que minaram a confiança do empresariado.

Esse é o cenário que estará diante da nova equipe econômica, de perfil mais ortodoxo e discurso de mais rigor fiscal com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no BC.

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

As projeções dos economistas para 2015

Pesquisa Focus, realizada pelo BC junto às instituições financeiras, divulgada nesta segunda-feira mostrou que a projeção para a inflação em 2015 permaneceu em alta de 6,50 por cento. Para este ano o índice oficial também não sofreu alteração, projetado em 6,38 por cento.

No Focus, os especialistas consultados projetam que a taxa básica de juros terminará o próximo ano a 12,50 por cento, sem alteração ante o levantamento anterior. A primeira elevação ocorre em janeiro, com 0,25 ponto percentual, na visão deles. A taxa de juros atual é de 11,75 por cento.

Sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, a expectativa dos economistas caiu pela quarta vez seguida, em 0,02 ponto percentual, a 0,16 por cento. Para 2015 a estimativa é de expansão de 0,69 por cento, 0,04 ponto percentual a menos, terceira queda seguida.

Já a projeção para a balança comercial em 2014 no Focus passou para um déficit de 1,60 bilhão de dólares, contra zero na semana anterior. Se confirmado, será o primeiro saldo anual negativo desde 2000.

Por sua vez a perspectiva para o dólar subiu tanto para este ano quanto para o próximo, respectivamente a 2,60 e 2,72 reais, contra 2,55 e 2,70 reais.

(Por Camila Moreira)