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13/12/2014 10:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Petrobras adia divulgação de balanço do terceiro trimestre até janeiro de 2015

Ale Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo

A Petrobras confirmou, na noite desta sexta-feira (12), que decidiu não divulgar ontem as demonstrações contábeis do terceiro trimestre deste ano não revisadas pelos auditores independentes. Agora, esses números não auditados, que estavam previstos para ontem, deverão ser divulgados até 31 de janeiro do próximo ano. O fato relevante foi divulgado depois de o Conselho de Administração da Petrobras ter se reunido em São Paulo por quase 12 horas.

Segundo o fato relevante, o adiamento se deve aos novos fatos ocorridos após o dia 13 de novembro de 2014, relacionados, direta ou indiretamente, à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga as denúncias de corrupção na estatal. O balanço auditado da companhia deveria ter sido divulgado até o último dia 14 de novembro, mas a PriceWaterhouseCoopers (PwC) se recusou a assiná-lo por causa das denúncias de irregularidades.

Entretanto, a Petrobras divulgou na noite de ontem informações relativas aos indicadores operacionais e algumas informações econômico-financeiras que, segundo a estatal, não seriam afetadas pelos ajustes decorrentes da Lava Jato.

A companhia cita, entre os fatores que levaram ao adiamento do balanço não auditado:

  • a postergação para 31 de janeiro de 2015 do vencimento dos primeiros covenants (cláusulas contratuais), "possibilitando a apresentação das demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 não revisadas até esta data sem risco de declaração de vencimento antecipado da dívida pelos credores";
  • o recebimento pela Petrobras, em 21 de novembro, de uma intimação (subpoena) da Securities and Exchange Commission (SEC, o banco central norte-americano) requerendo documentos relativos a uma investigação sobre a companhia iniciada pela SEC;
  • o conhecimento pela Petrobras, em 3 de dezembro, dos depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada dos executivos Julio Gerin de Almeida Camargo (Grupo Toyo) e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Grupo Setal);
  • a citação da Petrobras, em 9 de dezembro, relativa à ação coletiva (class action) movida pelo investidor Peter Kaltman perante corte nos Estados Unidos. "Nós acreditamos que outras ações serão apresentadas e possivelmente consolidadas com a ação do Sr. Kaltman", afirma a empresa; e
  • o ajuizamento pelo Ministério Público Federal (MPF), no dia 11 de dezembro, de ações criminais contra diversas pessoas, dentre as quais o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e outros gestores de empresas, por corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documento falso.

"Entretanto, considerando o dever de informar e agindo com diligência e transparência, a companhia está divulgando informações relativas aos indicadores operacionais e algumas informações econômico-financeiras que acreditamos que não são afetadas pelos potenciais ajustes decorrentes da 'Operação Lava Jato'", diz a Petrobras. "Essas informações não foram revisadas pelos nossos auditores independentes", ressalta.

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