NOTÍCIAS
13/12/2014 09:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Em reunião com Dilma Rousseff, Graça Foster propôs sua saída e dos demais diretores da Petrobras

SERGIO MORAES/REUTERS

A evolução das investigações sobre corrupção na Petrobas tem minado as condições políticas para a manutenção de Graça Foster à frente da estatal. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff na última quarta-feira (10), Foster afirmou que, à parte as suspeitas, o desgaste em si comprometeu sua gestão. Ela sugeriu à presidente Dilma sua substituição, bem como a saída dos demais diretores da Petrobras. As informações são da GloboNews.

A situação de Foster piorou na última sexta-feira (12), quando reportagem do jornal Valor Econômico trouxe evidências de que uma gerente alertou os diretores das gestões dela de José Sérgio Gabrielli sobre irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço.

Venina Velosa da Fonseca era gerente da diretoria de Abastecimento comandada por Paulo Roberto Costa e começou a suspeitar de superfaturamento nos idos de 2008. Desde que começou a fazer alertas e a juntar documentos, foi expatriada para a Ásia e, mais recentemente, afastada do cargo juntamente com os funcionários suspeitos de envolvimento na Operação Lava Jato. Em e-mail a Graça, a gerente relata que chegou a ser ameaçada com uma arma e que suas filhas também corriam perigo.

"Pela relação de confiança e proximidade de ambas [Foste e Dilma Rousseff], cabe a pergunta incômoda, mas necessária: se a presidente Graça Foster sabia, a presidente Dilma Rousseff não ficou sabendo?", questiona João Borges, editor de economia do Jornal das 10, da GloboNews.

A sugestão de substituir a direção da Petrobras feita por Foster vai ao encontro do posicionamento da oposição, que, depois das denúncias do Valor Econômico, voltou a cobrar sua saída. "Ela vai se transformando numa presidente fraca, que não tomou medidas para conter os desmandos na Petrobras", disse o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), ao jornal Estado de S.Paulo. Na última terça-feira (9), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também já havia se posicionado pela troca de comando na estatal.

Apesar de toda a pressão, interlocutores de Dilma afirmam que ela não deu nenhum sinal de que pretende trocar o comando da Petrobras.

LEIA TAMBÉM

- Gerente da Petrobras alertou Graça Foster sobre desvios. E foi afastada

- Procurador-geral Rodrigo Janot vê 'gestão desastrosa na Petrobras' e defende substituição de diretoria

- Investidores dos EUA processam Petrobras por inflar contratos; advogados alegam 'esquema multibilionário de corrupção'

- Datafolha: 68% dos brasileiros acham que Dilma tem responsabilidade em escândalo da Petrobras