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06/12/2014 18:27 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Corrupção na Petrobras: Ministério Público Federal alerta para 'grande esquema criminoso instalado no País' sob investigação

Montagem/Estadão Conteúdo/Thinkstock

O Ministério Público Federal (MPF) alerta para a dimensão da rede criminosa descoberta pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que investiga fraudes em contratos da Petrobras e desvios de dinheiro da estatal para partidos políticos. Em nota oficial divulgada neste sábado (6), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que oito crimes são apurados, além dos atos de improbidade administrativa.

Janot sublinha que está sob investigação "um grande esquema criminoso instalado no País" envolvendo:

  • Corrupção ativa

  • Corrupção passiva

  • Lavagem de dinheiro

  • Evasão de recursos

  • Fraude em licitações

  • Formação de cartel

  • Formação de quadrilha

  • Associação criminosa

O procurador-geral ressalta o "montante dos valores envolvidos" nas movimentações criminosas. Os contratos da Petrobras com as empreiteiras que foram alvo da Operação Lava Jato somam R$ 59 bilhões.

Desde abril, uma força-tarefa de procuradores da República vem trabalhando, haja vista a prioridade do MPF no combate à corrupção.

O procurador assegura que as apurações têm sido rigorosas, e "tentativas de desacreditar as investigações e os membros desta instituição [MPF]" não serão toleradas.

Rodrigo Janot também enaltece a importância da delação premiada, instrumento jurídico que tem possibilitado a compreensão de como funcionava todo o esquema criminoso. Os dois principais delatores são o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

Eles eram as pontes entre os executivos de empreiteiras, suspeitos de pagar propina para obter contratos da Petrobras, e os partidos políticos, que seriam beneficiários dos recursos desviados da estatal.

"Até o momento a investigação revelou a ocorrência de graves ilícitos envolvendo a Petrobras, empreiteiras e outros agentes que concorreram para os delitos", afirma Janot, destacando uma vez mais tratar-se de uma investigação "técnica, independente e minuciosa".

53 presos

A Operação Lava-Jato já prendeu 53 pessoas desde março deste ano.

Entre elas, executivos de grandes empreiteiras, acusados de formar "clube vip" para abocanhar licitações da Petrobras, e até irmão de ex-ministro.

Além de Paulo Roberto Costa, outro nome da antiga cúpula da Petrobras preso foi o ex-diretor de Serviços Renato Duque, ligado ao ex-ministro José Dirceu, preso e condenado pelo esquema do mensalão.

Dezenas de políticos já foram delatados por Costa, conforme ele próprio revelou na última semana no Congresso Nacional.

Partidos como PP, PMDB, PT e PSDB já foram mencionados na delação premiada.

O alerta do MPF deste sábado sobe um pouco mais o tom de seriedade com que os brasileiros devem acompanhar o escândalo da Petrobras, cobrando das autoridades o fim dos esquemas, a punição dos envolvidos e o ressarcimento de todos os recursos desviados da maior empresa da América Latina.

Leia a íntegra da nota do MPF aqui