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05/12/2014 17:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Reincidente, promotor Rogério Zagallo é suspenso por 15 dias por ter ofendido manifestantes em 2013 no Facebook

Montagem/Estadão Conteúdo e YouTube

O promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, da 5ª Vara do Júri de São Paulo, foi suspenso por 15 dias pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Por maioria de votos, os conselheiros reprovaram a atitude do promotor durante as Jornadas de Junho, quando ele sugeriu que a Tropa de Choque poderia “matar manifestantes” e que arquivaria “o inquérito policial” se isso acontecesse.

“Estou há duas horas tentando voltar para casa, mas tem um bando de bugios revoltados parando a avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros. Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial. Petista de merda. Filhos da puta. Vão fazer protesto na puta que os pariu...Que saudades do tempo em que esse tipo de merda era resolvida com borrachada nas costas dos medras... (sic)”, escreveu à época Zagallo em sua página no Facebook.

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Polêmica postagem rapidamente se espalhou pela internet (Reprodução/Facebook)

O protesto em questão foi promovido pelo Movimento Passe Livre (MPL) e reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo dados da PM na ocasião. Pouco depois a postagem, feita em razão de Zagallo ter ido ao Esporte Clube Pinheiros para buscar o filho de 11 anos, o promotor a apagou, mas vários prints da opinião dele se espalharam pela internet.

O posicionamento do CNMP foi tomado na última segunda-feira (1), em sessão na sede do conselho, após a Corregedoria Nacional do Ministério Público pedir a revisão da decisão da Corregedoria-Geral do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que optou apenas por aplicar “censura” a Zagallo.

O relator do processo no CNMP, conselheiro Fábio George Cruz da Nóbrega, que votou pela procedência da revisão do processo administrativo, destacou que houve expressiva repercussão negativa da mensagem, compartilhada diversas vezes e que esse conteúdo atingiu uma quantidade imensurável de pessoas, provocando dezenas de representações no MP e no CNMP.

Alguns integrantes do conselho chegaram a defender uma suspensão maior de até três meses, mas prevaleceu o prazo de 15 dias de suspensão. Nóbrega afirmou, ainda, que levou em consideração a necessidade de aplicar sanção mais grave que a decidida pela Corregedoria-Geral do MP-SP, em razão da reincidência do promotor.

Nóbrega explicou que Zagallo já foi sancionado duas vezes pelo MP-SP, por conta de manifestações ofensivas realizadas em outros processos, tendo sido absolvido por um desses posicionamentos e condenados por duas outras vezes, uma delas envolvendo integrantes da Defensoria Pública e a outra, a pessoas que, supostamente, teriam efetuado disparos contra policiais e que foram mortas.

A reportagem do Brasil Post conversou por telefone com o promotor na tarde desta sexta-feira (5). Questionado sobre a suspensão recebida, Zagallo disse que preferia não se pronunciar sobre o assunto.

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