NOTÍCIAS
05/12/2014 19:57 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O que Harry Potter pode nos ensinar sobre neurociência?

Lapresse

Lendo sobre as aventuras de Harry Potter contra Lord Voldemort ou sobre seus voos de vassoura no campo de Quadribol, podemos ficar tão embevecidos pela história que os personagens e eventos podem começar a parecer reais. Segundo os neurocientistas, existe uma boa razão para isso.

Pesquisadores do Departamento de Aprendizado de Máquinas da Universidade Carnegie Mellon examinaram os cérebros de leitores de Harry Potter e descobriram que ler as aventuras ativa as mesmas regiões do cérebro usadas para captar as intenções e ações das pessoas no mundo real.

Os pesquisadores fizeram exames de ressonância magnética em um grupo de 80 pessoas enquanto elas liam o capítulo 9 de Harry Potter e a Pedra Filosofal, que descreve a primeira aula de voo de Harry. Depois eles analisaram as imagens, um centímetro cúbico por vez, procurando trechos de quatro palavras, com o objetivo de construir o primeiro modelo computacional integrado de leitura.

Os pesquisadores criaram uma técnica segundo a qual os leitores veriam quatro palavras a cada dois segundos de imagem. E, para cada palavra, os pesquisadores identificaram 195 características que seriam processadas pelo cérebro. Depois, foi usado um algoritmo para analisar a ativação de cada milímetro do cérebro para cada scan de dois segundos, associando as várias características das palavras com diferentes áreas do cérebro.

Usando o modelo, os pesquisadores foram capazes de prever com 74% de precisão quais das duas passagens os participantes do estudo estavam lendo.

“Verificou-se que os movimentos dos personagens – como voar na vassoura – estão associados com ativações das mesmas regiões cerebrais que usamos para perceber o movimento de outras pessoas”, disse em um comunicado Leila Wehbe, aluna do doutorado da Carnegie Mellon. “De forma semelhante, os personagens da história estão associados com ativações na mesma região cerebral que usamos para processar as intenções dos outros.”

A novo modelo não só oferece uma pista do que está acontecendo como também permite aos pesquisadores analisar múltiplos subprocessos do cérebro simultaneamente, algo que nunca tinha sido conseguido antes por neurocientistas. Se desenvolvido, o modelo pode ser útil para estudar e diagnosticar dislexia, um distúrbio de leitura. Mas são necessárias mais pesquisas.

“No começo, estávamos céticos e não sabíamos se o experimento funcionaria”, disse num comunicado o cientista da computação Tom Mitchell, um dos autores do estudo. “Mas tudo correu incrivelmente bem, e agora temos esses maravilhosos mapas cerebrais que descrevem em que pontos do cérebro você está pensando sobre diversas coisas.”

Pesquisas anteriores descobriram que ler ficção estimula muitas partes do cérebro além daquelas envolvidas no processamento da linguagem e pode ter impacto profundo no pensamento e no comportamento.

Neurocientistas mostraram, por exemplo, que quando o cérebro lê uma palavra como “perfume” ou “canela” são ativadas áreas tanto de processamento de linguagem como as de processamento de cheiros. Isso pode fazer da leitura uma experiência incrivelmente rica.

Ler ficção já provou aumentar a empatia e nos ajudar com decisões morais. Um estudo de 2013 publicado na revista PLOS One indica que as pessoas que se sentem “emocionalmente transportadas” por obras de ficção aumentam sua capacidade de empatia.

O novo estudo foi publicado online na revista PLOS One.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

LEIA MAIS

- Harry Potter em versão anime dos anos 1980 (VÍDEO)

- Harry Potter vs. Crepúsculo: personagens se enfrentam na dança (VÍDEO)

- 14 curiosidades SURREAIS sobre a Escócia