NOTÍCIAS
03/12/2014 15:59 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Lobão se une a manifestantes no Congresso para protestar contra a votação da mudança na meta fiscal do governo

Montagem/Mariana Topfstedt/Sigmapress/AE

Depois do tumulto que envolveu manifestantes, seguranças do Senado e políticos na terça-feira (2), a votação da mudança na meta fiscal do governo é retomada com mais confusão no Congresso Nacional.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), proibiu protestos hoje (3) nas galerias do plenário. Por isso, cerca de 50 pessoas foram barradas na entrada da chapelaria do Congresso. Um dos únicos a conseguir furar o bloqueio dos seguranças foi o cantor Lobão, líder dos descontentes com a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O músico foi direto para um gabinete de parlamentares da oposição. Ele tentou pressionar deputados a conseguir autorização para liberar as galerias do plenário ao público.

"Quero que vocês tentem arranjar uma maneira de a gente entrar", pediu Lobão aos deputados. Solidário aos manifestantes impedidos de entrar no Congresso, ele voltou à chapelaria.

Os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) prometeram apelar a Calheiros. Até recorrer ao STF não foi descartado por eles.

"A vinda do Lobão é emblemática para dizer a todos os brasileiros: 'Venham para o Congresso Nacional'", disse Caiado.

Ontem, Calheiros apontou que os manifestantes eram "assalariados" e, por isso, a sessão deveria ser suspensa:

"Este é um caso único na história do Congresso Nacional: 26 pessoas, presumivelmente assalariadas, obstruíram os trabalhos do Congresso. Isso demonstra a absoluta responsabilidade que a oposição tem com o fato. São 26 pessoas assalariadas que paralisam o Congresso Nacional... Que democracia é essa que eles pedem e cobram diariamente?"

Segundo o jornal O Globo, muitos dos participantes do ato no Congresso ontem admitiram ter ligação com o PSDB.

Hoje, o presidente do partido, senador Aécio Neves (PSDB-MG), foi saudado pelos manifestantes, assim que chegou à chapelaria.

Aécio retrucou ontem a decisão de Calheiros e da base governista ontem de retirar "o povo das galerias":

"Esta é a casa do povo. E o PT tem que aprender a conviver novamente com o povo nas galerias. A população brasileira acordou. A verdade é que existe um Brasil diferente, que hoje o PT e seus aliados ainda não perceberam."

A sessão que pode votar o projeto de lei que permite o "cheque em branco" ao governo já começou e pode ser acompanhada aqui.

Tumulto no Congresso Nacional