COMPORTAMENTO
02/12/2014 17:11 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O que a ciência diz sobre ter 30 anos

Reprodução/Sony Pictures

A cultura popular e as listas da internet costumam retratar os 30 como os melhores anos da vida. Estamos livres da insegurança financeira e pessoal dos 20 e longe dos desafios da meia-idade, e os 30 seriam o melhor em termos de liberdade e responsabilidade. Mas o que diz a ciência?

As pesquisas mostram uma década da vida marcada por estabilidade crescente e também por desafios significativos. Alguns estudos sugerem que 35 anos é a “melhor idade” e que a felicidade verdadeira começa aos 33. A grande maioria das pessoas que tem mais de 100 anos considera os 30 a melhor década de suas vidas.

Ainda assim, os 30 também são uma época de crises existenciais, do tique-taque do relógios biológicos e de muita insatisfação com o emprego.

Eis o que a ciência tem a dizer a respeito dos altos e baixos na vida de quem tem 30 e poucos:

O começo e o fim da década podem ser marcados por mudanças significativas na vida

Se você vai fazer uma mudança importante em sua carreira, mudar de cidade, correr uma maratona ou ter um caso extraconjugal, é mais provável que o faça quando estiver prestes a completar 30 anos.

Aqueles que estão entrando nos 30 (ou saindo deles) tendem a fazer uma “auditoria da vida”, para avaliar satisfação e conquistas. As duas pontas dessa década oferecem oportunidades para analisar os caminhos que escolhemos e para fazer mudanças, segundo pesquisas recentes. Novas décadas tendem a inspirar uma busca por significado e podem nos levar a “imaginar a entrada em uma nova era”, disseram pesquisadores que observaram o comportamento dos “e nove” (pessoas de 29, 39, 49 anos e assim por diante).

Você pode atingir seu ápice sexual...

Uma coisa para curtir nos 30? Sexo incrível.

Para as mulheres, o relógio biológico pode ser uma desvantagem da travessia dos 30. Talvez por causa desse fenômeno, as mulheres atingem o ápice sexual nessa época da vida, segundo pesquisas. Mulheres de 30 e de 40 e poucos são significativamente mais sexuais que mulheres mais jovens ou mais velhas. Elas relatam mais fantasias sexuais e mais transas. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que mulheres têm mais motivação sexual graças a uma adaptação evolucionária, a fim de maximizar a fertilidade.

Essa pode ou não ser a razão, mas mulheres nos 30 dizem que se sentem mais sexy e mais afinadas com seus corpos – e, portanto, têm uma vida sexual melhor – do que quando tinham 20. Aos 31, as mulheres estão no auge de sua confiança sexual, segundo uma pesquisa relatada pelo Daily Mail.

... E atingir novos patamares em sua carreira

Os 20 costumam ser caracterizados pelos estudos, por emprego ou desemprego, pela escolha da carreira e por muitas horas de trabalho — para ser promovido. Na década seguinte, trata-se de curtir o sucesso profissional e financeiro.

As idades de 30 a 39 anos podem ser épocas de destaques profissionais. Mulheres de 30 e poucos podem esperar aumentos de salário até os 39, em média, quando eles atingem o ponto máximo, segundo uma análise do Payscale.com. E, se você é artista ou cientista, é mais provável que os grandes avanços aconteçam mais para perto dos 40, segundo um estudo de cientistas inovadores e ganhadores do Nobel. Um estudo de 1977, citado pela The Atlantic, descobriu que ganhadores do Nobel de Física tinham em média 36 anos quando fizeram as pesquisas que lhes renderam o prêmio. Entre os ganhadores do Nobel de Química, a idade média era de 39 anos.

Se você não está feliz com o caminho profissional que escolheu, é provável que se sinta pior em relação ao trabalho. Alguns estudos mostram que jovens de 30 e poucos estão menos satisfeitos com seus empregos e mais desgastados emocionalmente do que pessoas nos 20 ou 40 anos.

Sua personalidade provavelmente não vai mudar muito

O psicólogo do século passado William James, da Universidade Harvard, disse que depois dos 30 a personalidade está assentada como reboco de parede. James acreditava que a personalidade tende a se estabilizar com a emergência da vida adulta. Algumas pesquisas dão respaldo a essa crença.

O núcleo dos nossos traços de personalidade são pelo menos parcialmente determinados pela genética. Mas, da infância até os 20, nossas personalidades estão evoluindo de forma significativa, e essas mudanças desaceleram ao nos aproximarmos dos 30. Nossos traços de personalidade não mudam muito depois de chegarmos à terceira década, mas isso não quer dizer que não devamos nos desafiar e crescer. Só que nossas vidas se estabilizam, assim como nosso caráter.

“As grandes mudanças que você vê do começo da adolescência ao começo da vida adulta basicamente somem depois dos 30, 35”, disse o psicólogo de personalidade Paul T. Costa ao Science of Us, da revista New York. “Há mudanças na personalidade depois disso, mas elas são muito, muito modestas comparadas com as anteriores.”

Você pode começar a sentir os efeitos da crise de meia-idade

Toda década tem sua crise, e a dos 30 não é exceção.

A crise do quarto de vida – um fenômeno tanto psicológico quanto da cultura pop – é a predecessora da crise de meia idade e pode surgir a qualquer momento entre os 20 e poucos e os 30 e poucos. Ela tende a acontecer por volta dos 30 anos. Em geral, esse período de ansiedade e questionamentos existenciais é precipitado pela sensação de estar preso num emprego ou num relacionamento que não está funcionando.

“Isso leva à sensação de ser uma pessoa para consumo externo e outra para si mesmo. Isso gera uma discrepância entre seu comportamento e sua ideia de si mesmo”, disse o psicólogo britânico Oliver Robinson à New Scientist.

Isso provoca um desejo de mudança, de encontrar um plano de fuga da situação atual, de reconstruir a vida, explica Robinson. Pode ser um processo complicado, mas vale a pena no fim das contas: 80% dos jovens adultos entrevistados por Robinson consideraram positivas as crises.

A felicidade real está só começando

Depois de passada a crise do quarto de vida, é hora da felicidade verdadeira. Uma pesquisa de 2012 apontou que 70% dos britânicos com mais de 40 anos disseram que nunca foram felizes de verdade antes dos 33.

Mais de metade dos entrevistados disseram que a vida é mais divertida aos 33; 42% afirmaram estar mais otimistas sobre o futuro nessa idade, e 38% disseram sentir menos estresse aos 33 do que quando eram mais novos.

“Aos 33 você já se livrou da inocência da infância e dos planos tresloucados da adolescência, sem ter perdido o entusiasmo da juventude”, explica Donna Dawson, uma das autoras do estudo. “Nessa idade, já se perdeu a inocência, mas o senso de realidade está misturado com uma forte sensação de esperança, um espírito que acredita que tudo é possível e uma crença saudável em nossos talentos e capacidades.”

Segundo outra pesquisa britânica, conduzida pelo HuffPost UK e pelo YouGov, atingimos o melhor equilíbrio entre vida pessoa e profissional aos 34 anos e chegamos à verdadeira satisfação aos 38.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.