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28/11/2014 12:11 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Economia brasileira cresce 0,1% no 3º tri e, por muito pouco, sai da recessão

EVARISTO SA via Getty Images
Re-elected Brazilian President Dilma Rousseff delivers a speech following her win, in Brasilia on October 26, 2014. Leftist incumbent Dilma Rousseff was re-elected president of Brazil, the country's Supreme Electoral Tribunal said, after a down-to-the-wire race against center-right challenger Aecio Neves. Rousseff, who had 51.45 percent of the vote with 98 percent of ballots counted, was declared the run-off winner. AFP PHOTO / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)



Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Por muito pouco, e auxiliada pelos gastos públicos, a economia brasileira saiu da recessão técnica no terceiro trimestre deste ano, movimento que mostra a dificuldade de recuperação mais consistente da atividade econômica num momento em que o governo já indicou que fará um esforço por mais austeridade fiscal.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas 0,1 por cento no terceiro trimestre de 2014, na comparação com os três meses anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, abaixo do esperado.

Mesmo assim, a economia do país saiu da recessão técnica --dois trimestres seguidos de contração do PIB-- na qual havia entrado no semestre passado pela primeira vez desde a crise internacional de 2008/09. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o PIB do país registrou queda de 0,2 por cento entre julho e setembro passados.

A mediana de previsões de analistas consultados pela Reuters apontava para crescimento trimestral de 0,3 por cento e contração de 0,1 por cento na comparação anual. Ou seja, o crescimento foi menor do que o esperado.

Segundo o IBGE, o consumo do governo cresceu 1,3 por cento no trimestre passado sobre o período imediatamente anterior, avançando 1,9 por cento sobre um ano antes, o que ajudou a "salvar" o PIB.

O impulso da economia via gasto público, no entanto, parece estar com os dias contados, diante da formação da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, com perfil mais ortodoxo e discurso de mais rigor fiscal, com corte de despesas.

Nesta quinta (27), foi confirmado que Joaquim Levy assumirá o Ministério da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa vai para o comando do Planejamento. Alexandre Tombini, que iniciou mais um ciclo de aperto monetário recentemente, continua à frente do Banco Central.

O Brasil tem convivido com inflação elevada e baixo ritmo de crescimento, o que afetou em cheio a confiança dos agentes econômicos.

A expectativa do mercado em pesquisa Focus do Banco Central, que ouve semanalmente economistas de instituições financeiras, é de que o PIB crescerá neste ano apenas 0,20 por cento. Se confirmado, será o pior desempenho desde a contração de 0,33 por cento vista em 2009.

(Reportagem adicional de Felipe Pontes)

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