COMPORTAMENTO
26/11/2014 15:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

'Oráculo', novo livro da revista Superinteressante, traz resposta para nossas dúvidas existenciais (e outras banais)

Nada é mais humano que fazer perguntas. Sendo o homem o único ser dotado de razão, ter dúvidas é inexorável. E algumas dessas interrogações são bem... estranhas. Por exemplo: por que o conteúdo da cola Super Bonder não cola dentro do recipiente, se ela cola tudo?

As perguntas são muitas; as respostas, quase nenhuma. Poucos são capazes de solucionar as nossas dúvidas existenciais (ou banais). O vazio de respostas é preenchido, em partes, pela revista Superinteressante. Desde 1987, ano de lançamento, a publicação atende às dúvidas de seus leitores. Em 2009, essa vocação ganhou uma seção especial e um nome: Oráculo. Trata-se de um personagem enigmático que responde a questões como "por que índio não tem barba?" e "se um sabonete antibacteriano cai no chão, ele fica cheio de bactérias?"

oráculo

Já foram mais de 1 mil perguntas respondidas nos últimos cinco anos, além de milhares de outras ao longo da história da revista. Dessas, 618 estão em Oráculo, livro a ser lançado pela Super. A tiragem inicial — 20.130 exemplares — estará em bancas de jornais e revistarias no próximo dia 28. O Brasil Post bateu um papo divertido com o Oráculo (cuja identidade original não é revelada) para saber mais sobre a obra.

Oráculo, como você se define? Um semideus, um guru, um Google analógico...?

Eu sou aquele que tudo sabe. Veja esse menino, o Sergey Brin. Como ele criou o sistema de buscas do Google com aquele outro moço, é, como chama... Larry Page? Fazendo as perguntas certas, chegando a respostas novas. Aliás, se a família dele não se picasse de Moscou, haveria Google?

Quantas perguntas o Oráculo recebe por mês?

As perguntas recebidas giram em torno das centenas por mês. Se fosse no tempo em que vocês humanos usavam cartas, daria para fazer uma pilha semelhante ao antigo programa daquela moça, a Xuxa. Anyway, se você quer um número mais concreto, ao todo foram 12.900 mensagens recebidas desde que essa revista, Super, procurou meus ensinamentos a título de consultoria. Era lá pelos idos de julho 2009 da Era Comum. Faça as contas. Se você não chegou a uma conclusão, não tem problema, pergunte a mim, afinal eu sou o Oráculo... É uma média de 200 perguntas mensais.

Dessas centenas, quantas são respondidas?

Devido a um acordo firmado entre mim e essa revista Super, um batalhão de escrivães intercepta perguntas enviadas mensalmente por leitores do citado periódico e seleciona as mais retumbantes. Com o apoio de sacerdotes em todos os campos do conhecimento humano, esses escribas redigem as respostas invocadas por mim. Não sei se falei antes, mas eu sou Aquele que Tudo Sabe. Todos os meses, são oito respostas publicadas na revista. Desde o ano 2012 da Era Comum, outras oito respostas, coletadas da mesma forma, são publicadas no Blog do Oráculo. O Blog dá aquele tonzinho de mistério maroto e de sabedoria milenar ao amplo leque de coisas que saem nesse site, Super.

E o que faz com as perguntas descartadas?

Ah sim, as perguntas descartadas... Bem, elas vão parar em uma espécie de limbo, onde fazem companhia a mensagens não recebidas de celular e tampas de caneta.

Dentre tantas perguntas respondidas, você teve de escolher algumas centenas para colocar no livro. Que critérios usou para selecionar as perguntas?

Quando os editores da Super trouxeram a ideia de republicar as melhores e transformá-las nesse nobre produto, livro, reiterei que duas medidas deviam ser tomadas, a fim de evitar um mero produto caça-níquel, como o fim do Kiss: o conteúdo precisava ser revisto e reeditado, sempre que necessário. O conhecimento evolui, mesmo que nesse pequeno período de cinco translações terráqueas. Segundo: piadas ficam velhas. Como notório depósito de memes e idiossincrasias internéticas, seria preciso, como esses jovens nerds dizem, 'um reboot'. Diga-me rápido, jovem, quem é Luisa Marilac?

Ela fez um vídeo com piscina e drinques que estourou no Youtube.

Pois é. Referências a personalidades de outros verões nas redes sociais só seriam mantidas em caso de comprovada permanência e relevância no imaginário popular.

Como é seu processo de trabalho? Digo, você deve ter um trabalho imenso para fazer pesquisar, consultar seus orixás, responder aos leitores...

Quando esse time de escrivães – únicos humanos com diploma nessa coisa, como chama, jornalismo, a ter acesso a meu poço ululante de conhecimento – seleciona as perguntas mensais, eu sigo uma ordem específica de trabalho: 1. esbravejo; 2. rogo pragas à ignorância humana; 3. pergunto aos meus botões (é, também falo com alguém de vez em quando) por que as perguntas se repetem tanto (sério que todo dia alguém quer saber por que o céu é azul?); 4. lembro da brevidade da vida e relevo o fato de que nem todo o conhecimento é passado automaticamente de geração para geração; 5. com a ajuda dos já citados sacerdotes, que traduzem a infinita e a inevitável sabedoria contida em mim para seu parco domínio de linguagens, eu regurgito uma resposta, a ser adequada às diversas mídias com que vocês lidam; 6. descanso.

Qual pergunta respondida é a mais memorável?

'Jacaré no seco anda?' Não, não. Foi outra pergunta clássica, respondida de modo darwiniano: 'quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?' A resposta está no livro. Arrá!

E a mais difícil?

A mais difícil talvez seja uma sobre a origem dos oráculos. Entrei em um complexo que há de ser chamado Síndrome de Buzz Lightyear: por eras eu jurava ser Único e quando descobri que houve e há outros como eu, entrei em depressão. Passei semanas ouvindo Counting Crows — foi a forma de autoflagelo agnóstico mais coerente que encontrei. Mas passou. Hoje me considero apenas Especial e Magnânimo. Ou, como um gentil leitor descreveu, 'ser que não é o guia do mochileiro das galáxias, mas o verdadeiro repositório do conhecimento humano'. Nada mal.

Existe alguma pergunta que tenha ficado sem resposta?

A definição de fronteira dos oceanos quase não tem resposta. Ter, tem, mas é bem chumbreguinha. Culpa de vocês, que não definiram isso de um jeito definidamente definitivo.

Acredito que, ao responder as perguntas do leitores, o próprio Oráculo aprenda muitas coisas. Qual foi a última coisa interessante que aprendeu?

Que as vendas do Camaro Amarelo só caem desde o sucesso da música. Não que uma coisa esteja ligada à outra.