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26/11/2014 12:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Especialista em felicidade fala sobre o segredo para descobrir o que faz você feliz (de fato)

Gretchen Rubin

O segredo para a felicidade parece fácil: basta fazer o que faz você feliz, certo?

Claro, mas saber o que faz você feliz é muito mais difícil do que parece.

Depois de passar um ano fazendo uma extensa pesquisa e ajustes diários na sua vida, na esperança de tornar-se mais feliz, Gretchen Rubin publicou em 2009 O Projeto Felicidade, livro que é best seller do New York Times, desde 2009.

Em um esforço, para espalhar o que aprendeu sobre a felicidade com outras comunidades, Rubin se uniu com Biogen Idec para trabalhar no Projeto Blueprint MS que proporciona às pessoas que vivem com esclerose múltipla, um plano de ação, que inclui pequenos passos, nos quais elas podem realizar atividades que trazem mais alegrias ao seu cotidiano.

Em entrevista ao The Huffington Post, ela falou sobre os segredos da alegria, do Projeto Blueprint MS e deu "dicas" para descobrir o que realmente faz você feliz.

HuffPost: O que é o projeto Blueprint MS, e como ele está conectado a todo o seu trabalho sobre a felicidade?

Gretchen Rubin: O Projeto Blueprint MS tem uma abordagem interessante, que está totalmente alinhada com "O Projeto Felicidade". É altamente personalizado e todo mundo cria seus próprios modelos. Estes grupos de defesa da esclerose múltipla fazem um grande esforço ao pensar nas coisas mais importantes, que repercutem na comunidade, e, em seguida, a pessoa escolhe as coisas que ela sabe que a fariam mais feliz. Assim, uma pessoa pode focar muito em coisas sociais, se ela está se sentindo isolada. Talvez algumas pessoas queiram se juntar a um grupo de leitura, fazer uma videoconferência com seus amigos, ou fazer um passeio noturno com seu marido. Para outros, a atividade pode ser mais relaxante. Então, alguns exemplos, neste caso, seriam receber uma massagem ou acender uma vela perfumada.

Uma vez que você escolhe o que gostaria de fazer, você as inclui no seu Diagrama, que seria o seu projeto. E, com ele já pronto, você pode enviar a outras pessoas e pedir que elas participem dele com você. De novo, isso é muito parecido com o "Projeto Felicidade". Tudo isto é muito fácil de administrar, são coisas concretas que podem fazer parte da sua vida cotidiana. A busca maior [pela felicidade] é grande, mas se trata mesmo de realizar isso em seu dia a dia.

Existe um prazo para este projeto?

Não, não está limitado a um espaço de tempo. Estas podem ser coisas que as pessoas façam sempre, mas é mesmo responsabilidade de cada um. As pessoas definem essas metas e seguem adiante com elas; mas não há uma expectativa, como se fosse um campo de treinamento. É, bem mais, um jeito que permite que você faça isso da maneira que quiser.

Fazer um mapa das atividades felizes faz parte também do seu livro de 2009. Como, ao documentar essas práticas, nos ajuda a sermos mais felizes?

É diferente para cada um de nós. Para o projeto Blueprint MS, parte dessa tarefa é ter uma maior clareza. Basta escolher seis coisas que você deseja incluir na sua vida e que lhe ajudarão a descobrir o que faz você feliz. E muitas são atividades que você pode fazer todos os dias - o que é muito útil.

Para muitas pessoas, a prestação de contas é fundamental. Então, se eu tinha um plano e meu marido sabia qual era, ele poderia dizer: "Ei, você disse que iria fazer uma caminhada de meia hora depois do jantar, todas as noites, como que é isso?" Algumas pessoas só querem ter ideias de coisas para fazer. Elas querem algumas recompensas saudáveis. Muitos de nós criamos recompensas que são ruins para nós, mas estas são algumas que são boas para você. E às vezes você só precisa de ideias para elas.

Por exemplo, alguém me disse que nunca se permitia algumas recompensas, mas então me disse que compra uma música nova a cada terça-feira de manhã. Então eu perguntei por que escolheu as manhãs de terça-feira. E ele disse: "Porque é quando saem novas músicas no iTunes." E eu disse, "Veja, essa é a sua recompensa."

Então, parece que se trata muito mais de identificar o que te faz feliz.

É exatamente isso. Porque muitas pessoas não sabem o que as deixam felizes. As pessoas têm escolhas muito diferentes. Somos todos muito diferentes. Sempre que você vê esses valores descritos em uma tabela e se depara com aquilo tudo na sua frente, você pensa, "Bem, todos esses valores são importantes para mim." Mas então você vê uma lista com 140 valores e diz para si mesmo: "Ah, na verdade, isso não é muito importante." Quando você vê tudo sobre a mesa, você pode classificar e ter uma melhor noção do seu próprio gosto. É uma maneira, que não requer ir à terapia, para ter uma noção do que você quer e o que te faz feliz. Eu acho que algumas pessoas vão dizer "Oh, é aí que está faltando uma peça. Eu só preciso mais tempo para não fazer nada."

OK, mas suponhamos que você se comprometa a participar de um clube do livro, e você vai lá umas 10 vezes e você se sente completamente infeliz?

Oh, caia fora dessa.

Certo. Mas como você pode saber se a atividade em si é o que está fazendo você infeliz? E se você, por exemplo, apenas alguém que sofre com ansiedade social?

Bem, isso é algo que é a chave para a felicidade. Como fazer a distinção entre sair da zona de conforto e ser mais feliz a longo prazo com algo que, na verdade, vai contra nossa verdadeira natureza? Eu acho que no fundo, as pessoas sabem. Creio que a pessoa que realmente sofre por algum tempo de ansiedade social, vê pessoas que são muito legais e divertidas e deseja sentir-se confortável com elas, mas não consegue – o que é diferente de uma pessoa que vai para um clube de leitura e diz para si mesma: "Isso é chato, eles têm mau gosto nos livros e fazem comentários estúpidos. Esta não é a minha praia.” Em parte, é porque realmente precisamos tomar um tempo para pensar: "Bem, talvez um grupo de leitura diferente iria funcionar melhor. Talvez sejam essas pessoas ou talvez sejam esses livros."

Eu tinha um amigo que fazia parte de um grupo de cozinheiros. Eles se encontravam e se revezavam fazendo sobremesas sofisticadas, e depois sentavam-se em torno de uma mesa para comer essas sobremesas e falar sobre as receitas. Não poderia imaginar nada mais chato, mas para algumas pessoas isso é uma grande diversão.

Mas às vezes é difícil saber qual é a diferença. Muitas vezes você tem que analisar e ver como você se sente depois. Se for errado para você, normalmente você vai se sentir exausto, diminuído, aborrecido e irritado. Toda vez que eu dirijo eu me sinto exausto no fim, mas fico feliz por ter feito isso. Uma das coisas mais estranhas sobre a felicidade é que nem sempre ela faz você se sentir mais feliz. E isso pode ser muito confuso. Porque você fica pensando, "Como é que isto está me fazendo feliz?"

O melhor exemplo é um cara que teve um relacionamento ruim com seu pai, ao ponto de dois de seus irmãos se recusarem a visitar seu pai no hospital. E esse cara ia e se dizia: "Por que eu faço isso? Eu odeio ir lá. Ele foi ruim comigo durante toda a minha infância. Odeio estar no hospital. Meus outros irmãos não vão, então por que eu vou?" E eu disse a ele, "Você sente que é o seu dever como filho. Há uma certa felicidade em saber que você está fazendo a coisa certa, mesmo que isso não esteja fazendo você feliz no momento." E esse é um conceito muito confuso.

O novo livro de Rubin sobre hábitos, Better Than Before, será lançado em março, nos Estados Unidos. Você pode fazer um pedido antecipado aqui.

Esta entrevista foi editada e condensada.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.