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26/11/2014 18:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Desmatamento na Amazônia cai 18% entre agosto de 2013 e julho de 2014, segundo o governo

PAULO LIEBERT/ESTADÃO CONTEÚDO

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta quarta-feira (26) o índice oficial de desmatamento da Amazônia Legal: uma redução de 18% entre agosto de 2013 e julho de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com o governo, a Amazônia perdeu 4.848 quilômetros quadrados de floresta no período. Em 2013, o desmatamento na região foi de 5.891 quilômetros quadrados, um acréscimo de 28,8% em relação a 2012, quando 4.571 quilômetros quadrados foram desmatados.

O Pará foi o Estado que mais desmatou: 1.829 quilômetros quadrados. Já Tocantins perdeu apenas 48 quilômetros quadrados.

Roraima e Acre tiveram um aumento do desmatamento em relação ao ano passado: 37% e 41%, respectivamente.

Os dados são do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os dados oficiais contrastam com outras informações sobre o desmatamento divulgadas nas últimas semanas. No último dia 18, o Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) divulgou que o desmatamento teria crescido 467% em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro, o aumento teria sido de 290%, também em comparação com setembro do 2013.

O índice oficial do governo, no entanto, mede o período de agosto de 2013 a julho de 2014 e se refere a um ano inteiro de monitoramento.

Já os dados do Imazon são mensais e relativos aos meses de setembro e outubro.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, não é possível comparar as informações da ONG com a do governo, já que as metodologias utilizadas são diferentes. "Sistemas não oficiais que circulam apontaram aumento do desmatamento. A taxa Prodes é a oficial do país. E está aí a taxa", afirmou a ministra, de acordo com o G1.

Todos os sistemas de monitoramento do desmatamento da Amazônia utilizam como base a análise de imagens de satélite.

O Prodes, a princípio, é mais preciso, pois tem imagens de maior resolução e monitora áreas em que houve a retirada total da floresta. Por ser anual, também permite a comparação de imagens durante um período mais longo.

Outros sistema oficial, também utilizado pelo Inpe, é o Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que é produzido mensalmente com o objetivo de alertar as autoridades sobre focos de derrubadas de floresta, mas não é tão preciso. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o Deter detectou aumento de 122% no desmatamento em agosto e setembro em comparação com os mesmos meses de 2013. A informação não foi confirmada pelo governo, que prefere se ater ao índice anual.

Por fim, há outro sistema, chamado SAD, utilizado pelo Imazon, também mensalmente. Este não é reconhecido pelo governo.

Apesar das diferenças de períodos analisados e metodologias, as tendências absolutamente opostas entre o índice oficial e as informações divulgadas pelo Imazon chamam a atenção. O índice oficial ainda é preliminar, e o definitivo só virá a público em 2015, mas não deve trazer alterações significativas.

A ministra Izabella Teixeira negou que o governo tenha segurado informações sobre o desmatamento por causa das eleições. "Fiz absoluta questão de divulgar a informação assim que ela chegasse. Agora todo mundo pode criticar, sugerir. A equipe do Inpe está aí para isso", disse.

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