MUNDO
24/11/2014 09:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

UE prepara novo fundo para estimular investimentos

DANIEL ROLAND via Getty Images
The EURO logo is pictured in front of the European Central Bank, ECB in Frankfurt/Main, central Germany, on November 6, 2014. The European Central Bank held its key interest rates unchanged at its regular monthly policy meeting. AFP PHOTO / DANIEL ROLAND (Photo credit should read DANIEL ROLAND/AFP/Getty Images)

A União Europeia planeja anunciar nesta semana um novo fundo que irá utilizar engenharia financeira em um esforço para gerar, pelo menos, 300 euros bilhões de euros em investimento adicional na economia da região. O total pode ser significativamente maior se os governos nacionais puderem ser convencidos a contribuir com mais capital.

O plano, que é uma das promessas de campanha do novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, diz respeito a uma tentativa de ajudar um ponto de fraqueza da Europa: o investimento estagnado feito por empresas privadas.

O investimento europeu tem se mostrado fraco em comparação com as taxas de investimento em outros países avançados, como os EUA, Japão e Canadá.

O plano, que deverá ser anunciado na quarta-feira (26), representa uma mudança na forma como a UE utiliza os seus "fundos estruturais", o dinheiro que o bloco de 28 nações distribui de seu orçamento para projetos de toda a região.

Normalmente, a UE desembolsa grande parte deste dinheiro como subsídios. Mas o plano de Juncker usaria o dinheiro para alavancar o financiamento de investimentos do setor privado, disse um funcionário da UE, envolvido na elaboração do plano.

"Vivemos em um mundo financeiro, por isso é melhor saber como finanças trabalham para tirar o máximo proveito do dinheiro", disse uma fonte, de modo que haja "menos subsídios, mais financiamento de risco, mais capital de risco".

No entanto, ainda permanecem dúvidas sobre se o fundo, mesmo com essa ajuda, será grande o suficiente para reverter problemas de investimento da Europa. Os 300 bilhões de euros serão concedidos em três anos, em um momento que o investimento europeu só neste ano está previsto para ficar em torno de 230 bilhões de euros abaixo do patamar pré-crise.

Há esperança de que os governos vão decidir contribuir mais para o fundo, um passo que iria aumentar significativamente a capacidade de financiamento. Os ministros de Finanças devem discutir o tema quando se encontrarem em dezembro, disse o funcionário da UE

Mas o plano não requer esse passo, pois a medida poderia ter a oposição do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que não está disposto a enviar mais capital para Bruxelas.

O plano também evita uma outra área complicada: não vai prejudicar os ratings AAA de crédito das instituições da UE, disse a fonte.

A iniciativa cria o fundo dentro do Banco Europeu de Investimento (BEI), a agência de crédito de longo prazo da UE. Mas o fundo teria regras de investimento mais flexíveis do que o BEI: ele contribuirá em partes mais arriscadas de financiamento, incluindo o investimento de capital, e absorverá uma fatia maior das perdas se um projeto fracassar. A esperança é que esse estímulo atraia mais dinheiro privado para o esquema.

O orçamento da UE e do BEI fornecerá garantias para o fundo. O total da iniciativa então atrairá investidores privados para projetos, muitos dos quais terão ênfase entre fronteiras, como as linhas de transmissão de energia elétrica que ligam as redes de diferentes países. Os 300 bilhões de euros serão o valor total do investimento público e privado.

As autoridades não disseram quanto a UE ou o BEI prometeriam como garantia para o fundo. Fonte: Dow Jones Newswires.