LGBT
17/11/2014 18:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Defensor da comunidade LGBT, Padre Beto é excomungado pelo Vaticano, mas não demonstra arrependimento (VÍDEO)

Reprodução/Facebook

O padre Roberto Francisco Daniel, conhecido como Padre Beto, não é mais parte da Igreja Católica desde o último sábado, quando a Diocese de Bauru, no interior de São Paulo, divulgou a oficialização da excomunhão do sacerdote. É o desfecho de uma história que data de 2013, causada pelas opiniões “polêmicas” de Padre Beto, um defensor da comunidade LGBT.

“Eu acredito no Deus que é amor. Este Deus não exclui ninguém (homossexuais, casais de segunda união, etc) como também nos deu a inteligência para podermos viver o amor às pessoas e à vida”, escreveu Padre Beto em sua página no Facebook, pouco depois de tomar conhecimento da decisão enviada pelo Vaticano.


O padre estava longe da Igreja Católica desde abril de 2013, quando foi convocado a se retratar acerca das suas opiniões sobre a união de pessoas do mesmo sexo, de pessoas divorciadas, a fidelidade nos relacionamentos e a necessidade de atualização e mudança dentro da hierarquia da igreja, se alinhando aos “valores atuais”.

Ele ganhou muita projeção com vídeos como o abaixo...

... ou postagens como essa...


... mas já demonstrava saber que estava se envolvendo em uma polêmica na qual era o elo mais fraco, tanto que busca na Justiça o respeito às suas opiniões, em tom crítico.

Até mesmo um site foi criado em apoio a Padre Beto, mas a decisão de ser desligado pelo Vaticano já era esperava até por ele mesmo. “Não vou pedir perdão por dizer que os homossexuais têm todo o direito de viver a sua vida, a sua sexualidade. Como ela (a Igreja Católica) já pediu perdão aos judeus e a outros grupos, ela terá que pedir perdão ao grupo LGBT, por ter agido de forma homofóbica e dissimulada”, disse ao G1.

Em comunicado assinado pelo padre Tiago Wenceslau, a Diocese de Bauru diz que Padre Beto “incorreu de modo livre e consciente” para a sua excomunhão. “A Revelação que é definida, ensinada, transmitida e guardada pelo Magistério da Igreja e professada na fé católica, não pode ser adulterada ou mudada segundo as modas, ideologias ou grupos que pretendem "adaptar" a fé aos seus gostos e práticas sociais. Para aceitar Jesus Cristo é preciso carregar a cruz de Cristo na vida de cada dia”.

Neste ano, o Papa Francisco procurou discutir a união de pessoas do mesmo sexo, demonstrando ter uma posição mais conciliatória sobre o assunto. Contudo, o Sínodo dos Bispos, convocado pelo papa para discutir temas relacionados à família, vetou o tema em seu relatório final.

Padre Beto diz que não voltará atrás e que seguirá dando suas bênçãos a quem procurá-lo. Já para a Diocese de Bauru, o assunto só seria revertido com uma declaração de arrependimento do padre.

“Eu esperava de tudo, até um arrependimento, uma volta atrás, mas, não criei nenhuma expectativa e para ser sincero não fiquei surpreendido com a decisão. Só posso dizer que dou Graças a Deus que não existe mais fogueira e fico tranquilo por estar do lado do ser humano, do desenvolvimento e da liberdade de expressão”, completou o sacerdote.

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