MUNDO
16/11/2014 13:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

G20 faz plano para ampliar economia e quer que PIB global chegue em US$ 2 trilhões

Reuters

Líderes do G20, grupo formado pelas principais economias do mundo, concordaram em impulsionar o crescimento global, enfrentar as mudanças climáticas e reprimir a evasão fiscal, mas os laços entre o Ocidente e a Rússia atingiram uma nova baixa com a crise na Ucrânia.

Foram anunciados, neste domingo (16), último dia do encontro, planos para aumentar o crescimento global em mais de 2 trilhões de dólares nos próximos cinco anos. Caso as metas sejam cumpridas, estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) global seja ampliado em 2,1% até 2018 e que milhões de empregos sejam criados.

Os países, que representam 85% da economia mundial, se comprometeram a cumprir 800 novas medidas, que incluem a criação de um centro de infraestrutura para ajudar potenciais investidores a executarem seus projetos e estímulos ao comércio global.

Em comunicado, os participantes do encontro, que acabou neste domingo (16), também pretendem reduzir a lacuna entre a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho em 25% até 2025. A medida tem por objetivo permitir que mais cem milhões de mulheres sejam empregadas e que, com isso, a pobreza no mundo se reduza.

Em pronunciamento ao final do encontro, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, disse que os países do G20 vão se policiar para o cumprimento dos objetivos a fim de estimular o crescimento. Entidades internacionais também irão monitorar a implementação do plano.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, rejeitou as preocupações de que os países podem falsificar seus dados de crescimento. Ela justifica que o monitoramento realizado pelo FMI não é científico, mas se trata de um processo bastante detalhado.

Especialistas avaliam que todos os países deverão seguir cada uma das medidas para chegar ao incremento de 2,1% no PIB mundial - algo quase impossível, dadas as dificuldades que irão enfrentar para levar a cabo algumas das reformas em seus países.

"Existem dois questionamentos: se as medidas em específico são críveis e se a defesa política feita pelos líderes será convincente", afirma Thomas Bernes, analista do Centro internacional para a inovação em governança.

Rússia está de fora?

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O presidente russo, Vladimir Putin, deixou a reunião do G20 em Brisbane mais cedo, uma vez que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou a Rússia de invadir a Ucrânia e o Reino Unido alertou sobre um possível "conflito congelado" na Europa.

Várias nações ocidentais alertaram a Rússia sobre mais sanções se ela não retirar tropas e armas da Ucrânia. "Eu acho que o presidente Putin pode ver que ele está em uma encruzilhada", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron. "Se ele continuar a desestabilizar a Ucrânia haverá mais sanções, mais medidas".

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Obama disse que o isolamento da Rússia era inevitável. "Nós preferiríamos uma Rússia totalmente integrada com a economia global", disse em uma entrevista coletiva. Antes de deixar a reunião do G20, Putin disse que uma solução para a crise da Ucrânia era possível, mas não elaborou.

"Hoje a situação (na Ucrânia), na minha visão, tem boas chances de resolução, não importa o quão estranho isso possa soar", disse Putin. Ele pulou um almoço de trabalho na reunião para sair mais cedo, citando o longo voo para a casa e a necessidade de descansar.

A Rússia negou qualquer envolvimento no conflito na Ucrânia que matou mais de 4 mil pessoas este ano.

Segurança e mudanças climáticas ofuscaram as conversas do G20 para impulsionar o crescimento econômico global na reunião, embora os líderes tenham assinado um pacote de medidas para adicionar 2,1 pontos percentuais extras para o crescimento global em cinco anos.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)