NOTÍCIAS
15/11/2014 13:22 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Operação Lava Jato não é "terceiro turno eleitoral", classifica ministro da Justiça

Estadão Conteúdo

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, convocou às pressas uma entrevista coletiva no escritório da Presidência em São Paulo para "repelir com veemencia" o que classificou como tentativa "pouco democrática de desestabilizar o governo" pela oposição em relação à sétima fase da operação Lava Jato, que prendeu na última sexta-feira (14), 20 executivos e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que é ligado ao PT. A entrevista foi transmitida pelo Globo News.

“O governo não mudará um milímetro da sua conduta na perspectiva de exigir investigação, de apurar, doa a quem doer, seja quem for. Falo isso para repelir, com veemência, tentativas de se construir, em cima dessa investigação, um terceiro turno eleitoral. Aliás, postura muito ruim, que não contribui para os avanços da investigação. Eu repilo veementemente a tentativa de se politizar essa investigação de tentar carimbar forças políticas 'a, b ou c' para que se possa ter um prolongamento do palanque eleitoral."

Nove das maiores empreiteiras do país foram alvo da sétima fase da Operação Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira, 14. São elas: Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa Óleo e Gás.

A operação é considerada pela Polícia Federal como histórica por ser a primeira vez que há uma ação envolvendo as maiores empreiteiras do País num só escândalo. Entre os executivos que tiveram a prisão preventiva ou temporária decretada pela Justiça Federal, estão os presidentes de cinco companhias: OAS, Camargo Corrêa, Iesa, UTC e Queiroz Galvão.

As empreiteiras foram alvo de mandados de busca e apreensão e em alguns casos de prisão de seus dirigentes. Essas empresas têm contratos com a Petrobras, que somam R$ 59 bilhões. A PF agora vai analisar todos os contratos para verificar se houve superfaturamento.

A Lava Jato investiga uma quadrilha que teria desviado bilhões de reais dos cofres da Petrobras para abastecer o caixa de três partidos políticos governistas: PT, PP e PMDB. As empreiteiras conseguiam obras na Petrobras mediante pagamento de propina.

Na sexta-feira (14), o senador Aécio Neves (MG), candidato derrotado do PSDB à Presidência, disse em um encontro partidário, em São Paulo, que a Petrobras "vai trazendo para si uma marca perversa" em razão das "gravíssimas" denúncias de corrupção e das ações do atual governo na estatal.

Já o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardozo disse sentir "vergonha" do que está acontecendo na estatal. Líderes de partidos de oposição no Congresso anunciaram que vão pedir a convocação para depor na CPI mista da Petrobras de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da petroleira preso na sexta.

LEIA MAIS:

- Polícia Federal prende mais um ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, em nova fase da Operação Lava Jato

- Propina na Petrobras: Paulo Roberto Costa afirma que PT, PMDB e PP foram beneficiados na campanha de 2010

- Veja: "Dilma e Lula 'sabiam tudo' sobre corrupção na Petrobras, disse Youssef à PF"; capa da revista domina redes sociais