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14/11/2014 17:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Nove das maiores empreiteiras do país são alvo da sétima fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal nesta sexta-feira, 14

DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Nove das maiores empreiteiras do país foram alvo da sétima fase da Operação Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira, 14. São elas: Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa Óleo e Gás.

A operação é considerada pela Polícia Federal como histórica por ser a primeira vez que há uma ação envolvendo as maiores empreiteiras do País num só escândalo.

Entre os executivos que tiveram a prisão preventiva ou temporária decretada pela Justiça Federal, estão os presidentes de cinco companhias: OAS, Camargo Corrêa, Iesa, UTC e Queiroz Galvão.

As empreiteiras foram alvo de mandados de busca e apreensão e em alguns casos de prisão de seus dirigentes. Essas empresas têm contratos com a Petrobras, que somam R$ 59 bilhões. A PF agora vai analisar todos os contratos para verificar se houve superfaturamento.

A Lava Jato investiga uma quadrilha que teria desviado bilhões de reais dos cofres da Petrobras para abastecer o caixa de três partidos políticos governistas: PT, PP e PMDB. As empreiteiras conseguiam obras na Petrobras mediante pagamento de propina.

Veja a lista completa dos mandados de prisão decretados pela Justiça Federal:

Prisão preventiva:

1. Eduardo Hermelino Leite, da Construtora Camargo Correa;

2. José Ricardo Nogueira Breghirolli, da OAS;

3. Agenor Franklin Magalhães Medeiros, da OAS;

4. Sergio Cunha Mendes, da Mendes Júnior;

5. Gerson de Mello Almada, da Engevix;

6. Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia.

Prisão temporária:

1. Dalton dos Santos Avancini, da Construtora Camargo Correa;

2. João Ricardo Auler, da Construtora Camargo Correa;

3. Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da OAS;

4. Alexandre Portela Barbosa, da OAS;

5. José Aldemário Pinheiro Filho, da OAS

6. Ednaldo Alves da Silva, da UTC;

7. Carlos Eduardo Strauch Albero, da Engevix;

8. Newton Prado Júnior, da Engevix;

9. Otto Garrido Sparenberg, da IESA;

10. Valdir Lima Carreiro, da IESA;

11. Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC;

12. Walmir Pinheiro Santana, da UTC;

13. Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão;

14. Ildefonso Colares Filho, da Queiroz Galvão;

15. Jayme Alves de Oliveira Filho, subordinado de Alberto Youssef (doleiro preso na 1ª fase da Operação Lava Jato, que assinou acordo de delação premiada e colabora com as investigações);

16. Adarico Negromonte Filho, subordinado de Alberto Youssef;

17. Carlos Alberto da Costa Siva, emissário das empreiteiras;

18. Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras;

19. Fernando Antonio Falcão Soares, lobista

Saiba como funcionava o esquema

De acordo com o relatório que embasou as prisões e investigações deflagradas pela PF nesta sexta, as investigações indicaram que "as maiores empreiteiras do país formariam uma espécie de cartel, definindo previamente as vencedoras das licitações da Petrobras, o que lhes permitia cobrar o preço máximo da empresa estatal, e que pagavam um porcentual, de 3% ou 2%, sobre o valor dos contratos a agentes públicos". O relatório é assinado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo caso.

A Justiça Federal de Curitiba identificou pagamentos de R$ 90 milhões das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato às empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, que fez um acordo de delação premiada com a Justiça para reduzir sua pena em troca de contar tudo o que sabe e indicar provas.

O doleiro, preso desde março na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, seria o responsável por repassar os recursos desviados da Petrobras a partidos políticos, empresários e outros beneficiados do esquema de corrupção. Os pagamentos eram justificados como pagamento a serviços terceirizados de consultoria financeira e técnica mas, de acordo com as investigações, as empresas controladas por Youssef não exerciam qualquer atividade econômica e funcionavam apenas como fachada para a lavagem do dinheiro.

Entre as movimentações suspeitas aparecem depósitos de US$ 4,8 milhões feitos pela OAS African Investments Limited em três parcelas entre maio e agosto de 2013. Os recursos foram depositados em uma conta em agência do PBK Bank, na Suíça, em nome da empresa de serviços off-shore Santa Thereza Services, que também seria controlada pelo próprio Alberto Youssef.

Foram localizadas transferências de R$ 5,5 milhões feitas por consórcios liderados pela Mendes Junior, que teve o vice-presidente preso durante as operações da PF desta sexta-feira. Também há depósitos da Investminas (R$ 4,3 milhões), da construtora OAS ( R$ 1,6 milhão) e Engevix (R 3,2 milhões), entre outros.

Somente o Grupo Sanko teria movimentado mais de R$ 33 milhões para as contas do doleiro. O grupo possui contratos de mais de R$ 3 bilhões para fornecimento de tubulações para obras da estatal.

Os depósitos teriam ocorrido entre 2009 e 2013, período em que foram identificadas as irregularidades na Petrobras.

Veja a resposta das empresas

As empreiteiras que são alvo da operação deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal (PF) informaram por meio de notas distribuídas à imprensa que estão colaborando com as investigações. A ação da PF busca identificar supostos desvios em contratos das companhias com a Petrobrás.

Em comunicado, a Odebrecht afirmou que a PF esteve hoje no escritório do Rio de Janeiro e que a equipe obteve auxílio para acessar qualquer documento ou informação buscada. "A Odebrecht reafirma que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sempre que necessário", ressaltou.

A OAS disse que foram prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela PF durante a ida à sua sede em São Paulo.

A Construtora Camargo Corrêa ressaltou que repudia as ações coercitivas, justificando que a empresa e seus executivos desde o início se colocaram à disposição das autoridades.

Na mesma linha, a Mendes Júnior explicou que está colaborando com as investigações da PF e contribuindo para o acesso às informações solicitadas. Além disso, a empresa destacou que nenhum de seus executivos foi preso.

A Queiroz Galvão informou que suas atividades e contratos seguem rigorosamente a legislação em vigor e que a empresa está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A Engevix afirmou que prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados por meio dos seus advogados e executivos.

A Galvão Engenharia mencionou que tem colaborado com todas as investigações e está permanentemente à disposição das autoridades.

A UTC disse que colabora desde o início das investigações e continuará à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias.

Procurada pela reportagem, a Iesa não se posicionou sobre o assunto.

Com informações de Estadão Conteúdo

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