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12/11/2014 16:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Sonda Rosetta: em dia histórico, pouso em cometa é concluído com sucesso

O momento mais esperado da ousada e cinematográfica missão da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) teve final feliz. Às 14h03 (horário de Brasília) chegou à Terra a confirmação de que o módulo Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A 509 milhões de quilômetros de distância da Terra, Philae caiu em queda livre no cometa — um corpo celeste de 3 por 5 quilômetros de diâmetro que viaja a 64.800 quilômetros por hora — disparou seus arpões e se fixou em sua superfície. Veja, acima, a comemoração!

"Cheguei! Meu novo endereço é 67P!", "tuitou" o módulo Philae minutos depois do pouso em 21 idiomas — não em português. "Esse é um grande passo para a civilização humana", afirmou Jean-Jacques Dordain, diretor da ESA.

Durante a descida, que durou cerca de sete horas, com velocidade de cerca de 1 metro por segundo (3,6 quilômetros por hora), Philae — que tem o tamanho de uma máquina de lavar e pesa 100 quilos — coletou informações e as transmitiu para a Terra, por intermédio de Rosetta. A primeira imagem transmitida pelo módulo, 50 segundos após a separação, foi divulgada pela ESA às 12h20 — ela mostra o painel solar e parte do corpo da sonda Rosetta, enquanto Philae começa a se afastar.

Toda a manobra de pouso foi calculada e programada com antecedência no módulo Philae, sendo executada automaticamente. A técnica foi necessária porque os comandos enviados da Terra levam 28 minutos e 20 segundos para chegar até Rosetta.

Uma falha detectada nesta madrugada no sistema de pouso do módulo contribuiu para o aumento da apreensão e expectativa sobre o pouso. Durante o processo de checagem do módulo, antes da separação da sonda, os cientistas detectaram um problema no propulsor que seria ativado assim que ele tocasse o solo, empurrando-o para baixo, para neutralizar o impulso do disparo do arpão. Mesmo assim, a equipe decidiu prosseguir com a separação, que foi confirmada às 7h03. Duas horas mais tarde, a comunicação com o módulo e com a sonda Rosetta foi reestabelecida.

Vários fatores poderiam ter atrapalhado o pouso e comprometido a missão. O terreno acidentado do cometa era o principal obstáculo, e mesmo nas melhores imagens da superfície captadas por Rosetta não era possível ver rochas de alguns metros. Caso tombasse de lado, o módulo não teria como se reerguer, e a missão falharia. Outro risco, agravado pelo mau funcionamento do propulsor, era de o módulo tocar o cometa e quicar de volta para o espaço, devido à baixa gravidade no local.

Inicialmente, os pesquisadores calculavam que as chances de um pouso bem-sucedido eram de 70 a 75%. Com a descoberta da forma irregular do cometa, porém, esse número havia caído para 50%.

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De acordo com a ESA, por volta das 7h, quando a confirmação de que o módulo havia se separado da Rosetta foi divulgada, foram registrados a 717 tuítes por minuto sobre o assunto.