NOTÍCIAS
11/11/2014 16:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Música racista e machista de bateria de medicina da USP de Ribeirão Preto gera polêmica nas redes sociais

Reprodução/Facebook

A Bateria da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, a Batesão, está ganhando notoriedade nas redes sociais. Mas não pelos motivos certos. O grupo está sendo acusado de machismo e racismo em razão de uma canção recheada de impropérios contra mulheres. A polêmica já chegou até aos deputados estaduais, que discutirão o assunto, e contribuiu para um protesto marcado para a próxima quinta-feira (13).

A denúncia partiu do Coletivo Negro USP Ribeirão Preto, baseada em imagens que começaram a circular nas redes sociais no fim de semana passado. Nelas, constavam canções de um kit distribuído a calouros de medicina do grupo. Uma delas, cheia de palavrões, possui trechos como “preta imunda”, a “morena gostosa” e a “loirinha bunduda”, além de chamar mulheres negras de “crioulas fedorentas”.

“O que está exposto no cancioneiro é um ataque, uma falta de respeito, um crime (...). A Batesão assume seu lugar de senhor de escravos, pega o chicote e violenta mais uma vez as mulheres negras, se não pelo estupro que nossas avós, bisavós sofreram por parte dos senhores e seus filhos, pela subjugação do nosso corpo negro”, diz um trecho da nota de repúdio divulgada pelo Coletivo Negro USP Ribeirão Preto.


Diante da repercussão negativa, a direção da Batesão divulgou nota em que “pede desculpas” e alega que a presença de tal canção “tida como histórica” passou desapercebido da atual gestão, já que a criação de tal conteúdo machista e racista seria de autoria de pessoas que já não compõem mais a bateria de medicina da instituição. “Reiteramos ainda que em nosso cotidiano lutamos afirmativamente contra o racismo e o machismo”, completou a nota.


Apesar da retratação, uma manifestação está marcada para a próxima quinta-feira, às 12h, na faculdade de medicina da USP em Ribeirão Preto. “As letras do cancioneiro são apenas a ponta de iceberg de misoginia e racismo onde a FMRP está imersa. A ponta de racismo institucional que torna a Universidade de São Paulo e particularmente a FMRP um antro de elitismo e racismo”, expõe trecho do chamamento feito pelo grupo para esse ato.

cancao racista

Trecho de 'canção' que caiu nas redes sociais (Reprodução/Facebook)

Também em nota divulgada nesta terça-feira (11), a direção da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto lamentou que “uma publicação feita por alguns alunos e distribuída aos calouros, com ‘músicas e letras’ elaboradas por turmas anteriores” tenha vindo a público por falta de “cuidado na revisão do material”. “A Direção da FMRP-USP reitera sua disposição de não compactuar com atos inapropriados”, completa o comunicado.

A denúncia feita pelo Coletivo Negro seria tema de discussão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) nesta terça-feira, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.

A discussão sobre a opressão contra as estudantes na Faculdade de Medicina da USP não é recente e nesta semana rendeu a primeira de uma série de reportagens da organização Ponte, dedicada a pautas nos campos da segurança pública, Justiça e direitos humanos. Os relatos de alunas da instituição, envoltas em situações deprimentes, impressionam. A direção da Faculdade de Medicina da USP diz que as denúncias da matéria estão sendo apuradas.

LEIA TAMBÉM

- Trote racista na UFMG gera expulsão de aluno envolvido e suspensão de outros três

- Médico gaúcho é banido de congresso em Pernambuco após comentário preconceituoso contra nordestinos

- Apologia ao estupro por estudantes da UFMG causa polêmica e revolta nas redes sociais

- Candidata ao governo de MG, Cleide Donária é agredida por defender desmilitarização e é vítima de racismo