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11/11/2014 11:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Depois de desagradar Dilma Rousseff na eleição, Marta Suplicy deixa o Ministério da Cultura e mira prefeitura de São Paulo

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Na manhã desta terça-feira (11), Marta Suplicy pediu demissão do Ministério da Cultura. Em carta enviada à presidente Dilma Rousseff e publicada na coluna de Sonia Racy n'O Estado de S.Paulo, a senadora do PT (SP) ressaltou as conquistas obtidas pela pasta desde setembro de 2012, quando assumiu o MinC. Entre elas, a aprovação do Vale-Cultura e do Marco Civil da Internet.

Brasília, 11 de novembro de 2014.

À Excelentíssima Senhora Presidenta da República Dilma Rousseff,

Presidenta Dilma,

Agradeço a honra a mim concedida com o convite para ser Ministra de Estado da Cultura do Brasil nos últimos dois anos de seu governo. Encerro hoje a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual apresento meu pedido de demissão.

Ao lado de minha valorosa equipe, à qual sou muito grata, tivemos a possibilidade de construir caminhos e encaminhar soluções para nossas sete importantes instituições e fundações coligadas, assim como também pudemos apresentar um país diferente no exterior.

Em meio a inúmeras demandas e carências orçamentárias do Ministério da Cultura, focamos nosso trabalho em valores que nos são preciosos: inclusão da população na produção de cultura e ampliação do acesso aos bens culturais.

Para que o legado de Vossa Excelência viesse a ser sólido, nos dedicamos a viabilizar a aprovação, com êxito, de um conjunto de leis por anos pendentes no Congresso, que possibilitaram criar a coluna vertebral de políticas de Estado da Cultura.

Em dois anos aprovamos o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura, a Lei da Cultura Viva, o Marco Civil da Internet, a Lei de fiscalização do Ecad, a PEC da Música, além de ter enviado à Casa Civil, onde aguardam encaminhamento, o Direito Autoral e a Lei da Meia Entrada.

Por esta oportunidade de servir nosso país nesta função tão especial, de conhecer melhor e conviver com o povo da cultura, estar mais próxima de nossos artistas e raízes profundas, lhe sou grata.

Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera.

Volto para o Senado Federal para representar o Estado de São Paulo, por mais quatro anos, com muito vigor, energia e com o firme propósito de fazê-lo com amplitude, seriedade e grandeza. Na condução do Ministério da Cultura, e como Senadora licenciada pelo PT, não me apequenei, o fiz com coragem e determinação. Não fugi à responsabilidade de meu compromisso público ao me posicionar e ter feito o que acreditava ser o melhor para o Brasil e para o povo brasileiro.

Marta Suplicy

Senadora pelo Estado de São Paulo (2011/19)

A gestão de Marta foi avaliada como tendo sido "saneadora", no sentido de recolocar alguns programas nos trilhos — ela conseguiu, por exemplo, aprovar o Vale Cultura —, apesar de não ter conseguido criar uma marca própria e investir num grande programa. Pesa contra Marta sua opção de abdicar da discussão de temas importantes, como os direitos autorais, que acabaram ficando na mão do congresso.

Ainda assim, a ex-ministra faz avaliação positiva de sua gestão que, segundo ela, contou com verba mínima. "Coloquei em prática projetos que estavam parados desde a gestão do [ex-ministro de Lula, Gilberto] Gil", afirmou Marta ao jornal Folha de S.Paulo, durante o São Paulo Fashion Week. "Tinha apenas 0,11% do orçamento federal. Trabalhei com um orçamento ínfimo."

A não continuidade de Marta Suplicy já havia sido decidida no primeiro turno das eleições, quando a ministra encampou um movimento pela substituição da candidata Dilma Rousseff pelo ex-presidente Lula, o chamado "Volta, Lula". O movimento não vingou e Dilma se reelegeu, o que a colocou em xeque no cargo.

LEIA MAIS: Marta Suplicy está de saída. Quem deve substitui-la no MinC?

Marta Suplicy agora volta ao Senado Federal, mas possivelmente não cumprirá todo o mandato, que se encerra em 2018: ela deve tentar a prefeitura de São Paulo, daqui dois anos. De acordo com O Estado de S.Paulo, poucos dias depois do segundo turno da eleição presidencial, Marta procurou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que está disposta a enfrentar o prefeito Fernando Haddad em prévias no PT. Lula, na ocasião, não tomou posicionamento, tampouco assumiu qualquer compromisso com a ex-prefeita, que administrou a cidade de 2001 a 2004.