NOTÍCIAS
04/11/2014 16:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Recebido com festa, Aécio Neves segue o ‘rival' Geraldo Alckmin se afasta de movimento pela volta dos militares

Reprodução/Twitter

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) retomou oficialmente na tarde desta terça-feira (4) o seu mandato no Congresso Nacional. Na sua chegada, como esperado, ele foi recepcionado por um verdadeiro ‘batalhão’ de militantes e parlamentares tucanos, além de partidos aliados na oposição como o DEM e o PPS. E tratou de dar passos em direção a 2018, como já fez um dia antes o ‘rival’ e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Fui o candidato das liberdades, da democracia. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta não estão no nosso campo político”, disse Aécio. E não foi só.

Não por acaso, a declaração se parece com aquela dada um dia antes por Alckmin. “A manifestação é livre e as pessoas têm o direito de se manifestar, mas é evidente que nós, que lutamos tanto pela democracia, não podemos aceitar esse tipo de coisa”, comentou o governador paulista.

As duas articulações visam descolar a imagem de Aécio e Alckmin – hoje os dois principais postulantes em um cenário presidencial para 2018 no PSDB – das manifestações realizadas no fim de semana em algumas cidades do País, de cunho conservador e que, em comum, sugeriam a saída do PT associada a uma volta do regime militar. O tema pegou tão mal que a tentativa dos tucanos de se desligarem do assunto rendeu dissabores.

O ex-deputado federal tucano Xico Graziano, que possui ligações com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que foi coordenador nas mídias digitais de Aécio nestas eleições, criticou as manifestações pró-militares e acabou sendo acusado de “comunista”, “petralha”, entre outras ofensas.


Em tempos nos quais o sentimento de mudança permanece, a última coisa que os tucanos precisam é uma associação como essa.

“A voz de 51 milhões de brasileiros”

A expectativa por um papel de liderança por parte de Aécio na oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff foi referendada pelo próprio durante a sua recepção em Brasília. Segundo o senador mineiro, ele integra o que chamou de “um grande exército a favor do Brasil”, no qual ele irá “exercer o papel que me foi delegado por 51 milhões de brasileiros”, número correspondente aos votos recebidos por ele no segundo turno.

Sobre o pedido de “diálogo” feito por Dilma na semana passada, Aécio também passou a sua mensagem, sem deixar de mencionar que os escândalos de corrupção, como o da Petrobras, não serão esquecidos.

Nesta quarta-feira (5), a executiva nacional do PSDB se reúne em Brasília para traçar os passos do partido na Câmara e no Senado, além de analisar as eleições e seus resultados. Alckmin é esperado no encontro, que deve ter o comando de Aécio. A disputa interna está apenas começando, ainda que não declarada. Enquanto isso, todas as atenções estão direcionadas ao Palácio do Planalto.

LEIA TAMBÉM

- Com o aval de 51 milhões de votos, Aécio Neves reinicia caminhada no Senado na busca por nova chance presidencial

- Lobão lidera os descontentes com a reeleição de Dilma e propõe nova onda #vemprarua a favor de 'liberdade no Brasil'

- Petistas criticam PSDB por pedido de auditoria ao TSE