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02/11/2014 09:45 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

IPCC: mais de 90% do aquecimento global acontece nos oceanos, e homem é o responsável

weerapatkiatdumrong

O nível de CO2 na atmosfera é o mais alto dos últimos 800 mil anos. Mais de 90% do aquecimento global acontece nos oceanos. O período 1983/2012 foi o mais quente dos últimos 800 anos no hemisfério norte. E a interferência do homem no clima do planeta é indiscutível. Essas são algumas das revelações feitas hoje pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na Dinamarca.

O relatório final, divulgado hoje em Copenhagen, é o quinto produzido desde 1990 pelo IPCC (na sigla em inglês), órgão que reúne mais de 800 cientistas, além de representantes de governos de todo o mundo, para estudar as mudanças climáticas. A seca no sudeste do Brasil é só o mais recente desses desequilíbrios.

"Enfrentar as mudanças climáticas não será possível se cada um só cuidar de seus próprios interesses de maneira independente ", disse Rajendra Pachauri, o presidente do IPCC. Mas se nem em uma cidade em estresse hídrico como São Paulo, governo e cidadãos cooperam para economizar água, conseguiremos colaborar com o clima em escala planetária?

"Nós temos os meios para isso", diz Pachauri. "Tudo que precisamos é a vontade de mudar", disse o presidente do IPCC, que apresentou o relatório ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal.

Um capítulo inteiro do relatório é voltado para o poder público, com sugestões de políticas públicas que garantem o crescimento econômico promovendo uma economia menos dependente de petróleo e outros geradores de CO2. Os governos estabeleceram a meta de limitar o aquecimento global a 2ºC acima das médias históricas até 2100.

O relatório afirma que para tanto as emissões de CO2 devem parar de crescer em cinco anos. Em seguida, devem começar a cair, diminuindo 70% até 2050, e chegando a zero até 2100. Isso só acontecerá, segundo o IPCC, com a transição para uma economia de baixo consumo de carbono. O petróleo e o automóvel são, nesse sentido, nossos piores inimigos.

"É tecnicamente viável a transição para uma economia de baixo carbono", diz Youba Sokona, do Grupo de Trabalho III do IPCC. "O que falta são políticas e instituições adequadas. Quanto mais esperarmos para agir, mais vai custar para adaptar e mitigar as mudanças climáticas".

O crescimento econômico global não seria afetado com essa mudança. Considerando um aumento médio no consumo de 1,65 a 3% ao longo do século 21, o IPCC conclui que a mitigação do carbono teria impacto negativo de cerca de 0,06%. "Comparado com o risco iminente de impactos irreversíveis da mudança climática, os riscos de mitigação são gerenciáveis", disse Sokona.

Negociações de um novo tratado global sobre o clima, com metas para todas as nações, continuarão sendo perseguidas na COP-20, 20ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em dezembro deste ano, em Lima, no Peru. Especialistas consideram crítico alcançar um tratado que substitua o finado Protocolo de Kyoto durante COP-21, que acontece no ano que vem, na França.

Um último alerta do relatório do IPCC apresentado hoje: as pessoas e comunidades menos favorecidas em todos os países já começaram a sofrer as piores consequências das mudanças climáticas.

Veja a seguir alguns trechos do relatório:

"A influência humana sobre o clima é clara (...). As recentes mudanças climáticas tiveram impactos generalizados sobre os sistemas humanos e naturais".

"O aquecimento do sistema climático é inequívoco, e desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas são sem precedentes ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o oceano têm aquecido, as quantidades de neve e gelo tem diminuído, e o nível do mar subiu".

"Mudanças em eventos meteorológicos e climáticos extremos têm sido observadas desde 1950 (...) associadas a influências humanas, incluindo uma diminuição em temperaturas extremas de frio, um aumento de temperaturas extremas quentes, um aumento nos níveis do mar (...) e aumento do número de eventos de precipitação pesadas em diversas regiões".

"A temperatura deverá aumentar ao longo do século 21 em todos os cenários de emissões avaliadas. É muito provável que ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo (...) O mar vai continuar a aquecer e acidificar, e o nível do mar média global a subir".

"A mudança climática vai amplificar os riscos existentes e criar novos riscos para os sistemas naturais e humanos. Os riscos são distribuídos de forma desigual e são geralmente maiores para as pessoas e comunidades desfavorecidas em todos os países".

"Adaptação e mitigação são estratégias complementares para reduzir e gerir os riscos da mudança climática. Reduções substanciais de emissões ao longo das próximas décadas podem diminuir os riscos climáticos no século 21 e além, aumentam as perspectivas de adaptação eficaz, reduzem os custos e os desafios de mitigação a longo prazo, e contribuem para encontrar caminhos de desenvolvimento sustentável resistentes ao clima".

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