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31/10/2014 21:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Ministério da Saúde anuncia novas medidas de prevenção ao Ebola em aeroportos

John Moore via Getty Images
MONROVIA, LIBERIA - OCTOBER 10: A woman crawls towards the body of her sister as Ebola burial team members take her sister Mekie Nagbe, 28, for cremation on October 10, 2014 in Monrovia, Liberia. Nagbe, a market vendor, collapsed and died outside her home earlier in the morning while leaving to walk to a treatment center, according to her relatives. The burial of loved ones is important in Liberian culture, making the removal of infected bodies for cremation all the more traumatic for surviving family members. The World Health Organization says the Ebola epidemic has now killed more than 4,000 people in West Africa. (Photo by John Moore/Getty Images)

Passageiros de voos que venham de países com altas taxas de infecção pelo vírus -- Libéria, Serra Leoa e Guiné -- serão orientados a procurar o SUS caso apresentem sintomas, e terão a temperatura aferida na chegada ao Brasil.

As medidas foram anunciadas pelo ministro da Saúde Arthur Chioro nesta sexta (31). O primeiro aeroporto a implantá-las é o de Guarulhos, que recebe oito a cada dez passageiros vindos de áreas afetadas.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, 529 passageiros vindos das áreas afetadas pelo Ebola chegaram ao Brasil desde o começo do ano. Não há voo direto entre os países afetados e o Brasil.

A GRU Airport, concessionária que administra o local, confirmou ao Brasil Post que as medidas de controle já estão em vigência.

De acordo com o Ministério, a medida serve como um segundo bloqueio sanitário, visto que todos os passageiros que saem dos países afetados pela doença são entrevistados e têm a temperatura aferida na saída.

Como vai funcionar?

Os agentes de imigração vão identificar pessoas que chegam da Guiné, de Serra Leoa e da Libéria, ou que sejam naturais de um desses países. O passageiro será então encaminhado ao posto da Anvisa para responder a um questionário e medir a temperatura corporal.

Ele também receberá um material com informações sobre o atendimento no SUS -- o panfleto está disponível em quatro idiomas: português, inglês, espanhol e francês. Caso o viajante relate ter tido contato com alguém infectado pelo Ebola, sua temperatura será acompanhada diariamente.

O Ministério da Saúde afirmou ao Brasil Post, por meio de sua assessoria de imprensa, que as medidas da Anvisa continuam valendo.

Hoje, apenas um a cada 40 mil passageiros que chegam ao Brasil vêm de países afetados pelo Ebola.

É o suficiente?

A princípio, simplesmente orientar possíveis portadores de Ebola a procurarem o SUS parece uma medida tímida.

Mas, segundo Thaís Guimarães, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, não é necessário isolar ou acompanhar diariamente os passageiros que não apresentem sintomas.

"Durante primeiros 21 dias após a infecção, enquanto ele não tem sintomas, ele não transmite a doença. Por isso, o paciente só precisa ser orientado a procurar um médico caso tenha febre ou adoeça", explicou a infectologista ao Brasil Post.

Caso alguém com sintomas de Ebola compareça a um posto de saúde do SUS, deve ser encaminhado a um centro de referência em infectologia -- o Evandro Chagas, no Rio, ou o Emílio Ribas, em São Paulo.

O maior desafio na operação é treinar enfermeiros e equipar para que a transferência seja realizada sem risco de contágio. Uma série de profissionais de saúde foram infectados, nos Estados Unidos e no África Ocidental, durante o atendimento a pacientes portadores do vírus.

De acordo com Thaís, devido à extensão e à fragilidade do SUS, é difícil afirmar que todos os postos de saúde estejam plenamente preparados. Mas a Anvisa realiza treinamentos, presencialmente e por meio de vídeos, os profissionais do serviço público a lidarem com a doença.

No entanto, devido à capilaridade do SUS -- até municípios distantes têm unidades básicas de saúde, ao contrário dos países mais afetados, onde o serviço médico é escasso -- o risco de que a epidemia se espalhe é bastante reduzido.

Outros casos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não há necessidade de interromper voos e viagens aos locais afetados pelo surto, desde que medidas preventivas sejam adotadas. "O risco de um turista ser contaminado durante uma visita às áreas afetadas é extremamente baixo", afirma a instituição.

Mesmo diante das recomentações, a Austrália anunciou nesta semana que fechou suas fronteiras para cidadãos de Serra Leoa, da Libéria e da Guiné.

A atitude foi condenada pelo governo de Serra Leoa, que afirmou que a atitude é "contraprodutiva" e "discriminatória". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, também se manifestou contrário à decisão, e disse que as restrições vão dificultar ainda mais o combate à doença.

O primeiro país a fechar sua fronteiras por causa do vírus foi a Coreia do Norte. A medida, anunciada na última sexta-feira (24), afeta todos os turistas que pretendem visitar o país. Não foi anunciado o tempo que a proibição vai vigorar.

A Mauritânia fechou sua fronteira com o Mali no sábado (25), após uma menina da Guiné morrer em decorrência do Ebola na última semana.

O Ebola já matou 4.951 pessoas até agora.