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30/10/2014 20:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Zuenir Ventura é eleito imortal da Academia Brasileira de Letras

MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO

O jornalista e escritor Zuenir Ventura, de 83 anos, é o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele foi eleito nesta quinta-feira (30) com 35 votos dos 37 possíveis e ocupará a cadeira 32, que era do dramaturgo e poeta paraibano Ariano Suassuna, morto em 23 de julho. Os poetas Thiago de Mello e Olga Savary terminaram a eleição com um voto cada.

"Ele é um querido por sua dedicação e lucidez e pela argúcia com que acompanha a vida social e econômica do Brasil", disse o presidente da academia, Geraldo Cavalcante, de acordo com o G1. "Estamos contente em recebê-lo."

zuenir ventura
Marcelo Rubens Paiva e Ivo Herzog debatem com o jornalista Zuenir Ventura os casos de tortura e morte de seus pais, Rubens Paiva e Vladimir Herzog, durante a ditadura militar

Também ao G1, o escritor falou sobre o fato de suceder Suassuna. "Suceder Suassuna é uma emoção especial. Dedico essa vitória a Zélia Suassuna. Antes de ser internado, o Suassuna falou para o Gerson Camarotti, grande amigo dele, que pretendia votar em mim, mesmo sem votar há muitos anos. A academia tem uma tradição de jornalistas. Espero não decepcionar", afirmou.

Nas últimas semanas, a ABL também elegeu o poeta Ferreira Gullar e o historiador Evaldo Cabral de Mello para ocupar as cadeiras deixadas vagas pelas mortes de Ivan Junqueira e João Ubaldo Ribeiro, respectivamente.

Trajetória

Além de jornalista, Zuenir Ventura é ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O mineiro de Além Paraíba entrou no jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960, trabalhou como editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação da revista Fatos & Fotos, chefe de reportagem da revista O Cruzeiro e editor-chefe da sucursal no Rio de Janeiro da revista Visão-Rio. Em 1969, assinou a série de doze reportagens "Os Anos 60 — A Década que Mudou Tudo", posteriormente publicada em livro.

Até 1977, permaneceu como chefe de redação da sucursal-Rio da revista Visão. Em seguida, exerceu o mesmo cargo na Veja, onde ficou até 1981. Passou pela IstoÉ e, em 1985, mudou-se para o Jornal do Brasil.

Em 1988, Ventura lançou o livro 1968 – O Ano que Não Terminou, que recebeu 48 edições, vendeu mais de 400 mil exemplares e foi a inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela Rede Globo em 1992. Um ano depois do livro, assinou a série de reportagens "O Acre de Chico Mendes", publicada no Jornal do Brasil. Pelo trabalho, recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

Em 2008, Zuenir Ventura foi considerado pela Organização das Nações Unidas um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos. Dois anos depois, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

(Com informações de G1 e Veja)