NOTÍCIAS
30/10/2014 12:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Dólar cai 2% e volta à faixa dos R$ 2,40 no dia seguinte à elevação da taxa de juros pelo Banco Central

Getty
Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrava forte queda nesta quinta-feira, chegando a bater o patamar de R$ 2,40, com investidores animados pela surpreendente alta da Selic (taxa de juros) anunciada na quarta (29) de noite. A decisão do Banco Central alimentou expectativas de que a condução da política econômica pode tomar rumo mais favorável aos olhos do mercado.

A política econômica do governo de Dilma Rousseff, reeleita no domingo, é criticada por resultar em inflação elevada e baixo crescimento, em meio a uma política fiscal pouco transparente.

Às 10h57, a moeda norte-americana caía 2,04 por cento, a 2,4181 reais na venda, após chegar a 2,4092 reais na mínima da sessão.

"O aumento dos juros dá uma animada no mercado por causa da expectativa de fluxo, mas principalmente porque é um indício de que o governo está mais preocupado com a inflação", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Três dias após a reeleição de Dilma, o BC decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 11,25 por cento, alegando aumento dos riscos à inflação. A decisão pegou o mercado de surpresa, em meio a amplas expectativas de que a Selic só voltaria a subir no ano que vem.

O mercado aguardará mais pistas sobre como será a política fiscal nos próximos quatro anos para confirmar suas apostas sobre a política econômica. Também continuará no radar a nomeação do próximo ministro da Fazenda.

"É um ótimo primeiro passo e parece que o mercado está bem feliz, mas ainda há um caminho longo à frente", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.

A expectativa de maior entrada de recursos estrangeiros no Brasil também ajudava na baixa no dólar nesta sessão, com maior potencial de investimentos externos vindo para o Brasil em busca de mais rendimentos com a Selic maior.

FT lembra que Dilma acusou Aécio de planejar aumento da taxa de juros

Em reportagem publicada nesta quinta (30) pelo site do Financial Times, o jornal britânico especializado em economia lembra que durante a campanha a presidente reeleita Dilma Rousseff atacou seu rival, Aécio Neves (PSDB), de pretender elevar a taxa de juros para reduzir a inflação.

"Dilma e o PT argumentaram que, se Aécio Neves ganhasse as eleições, ele iria aumentar as taxas a um patamar tão alto para acabar com a inflação que iria causar recessão e alto desemprego", cita o texto. Segundo a reportagem, esses comentários "provocaram preocupação após a vitória de Dilma Rousseff de que o BC estaria sob pressão para ser 'dovish' (suave) com a inflação".

Mas três dias após a reeleição, o BC aumentou o juro para 11,25%, o maior patamar em três anos, pegando o mercado de surpresa, destaca a reportagem do FT. Segundo o jornal, a decisão revela "uma determinação maior do que prevista de segurar a inflação por parte do Banco Central".