COMPORTAMENTO

Ansiedade: 5 coisas úteis para dizer a quem sofre deste mal

28/10/2014 12:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
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Para aqueles que não foram diagnosticados com um transtorno de ansiedade, pode ser difícil compreender plenamente o que se passa dentro da mente dos milhões que vivem com essa doença.

O que exatamente você diria a um ente querido que esteja sentindo estresse extremo? Como você faria para que ele se sentisse melhor, se você não consegue entender o que está acontecendo? Pode parecer um desafio, mas a verdade é que os transtornos de ansiedade são mais fáceis de entender do que você imagina — e há maneiras de oferecer seu apoio, diz Todd Farchione, Ph.D., psicólogo clínico do Centro de Ansiedade e Doenças Relacionadas da Universidade de Boston, ao The Huffington Post.

"Estas são emoções humanas que todos nós experimentamos. Podem se manifestar como um medo profundo ou algum tipo de ansiedade para alguns, e podem se manifestar para você como qualquer outra coisa", diz Farchione. "O medo é algo que todos nós experimentamos. Por isso, quando falamos de alguém com ansiedade, basta realmente nos conectarmos com eles."

A chave para fazermos conexão com a pessoa que sofre de ansiedade é oferecer apoio sem julgamento, ele diz. Entes queridos podem pensar que estão ajudando ao dizerem a alguém que deve se acalmar ou parar de estressar com coisas pequenas, mas, na verdade, essas palavras poderiam agravar um desgastante problema de saúde mental.

Então o que devemos fazer e dizer? Veja cinco formas de dar apoio a alguém que está sofrendo com ansiedade.

  • "Você poderia me contar mais sobre a sua experiência?"
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    Aproximar-se de um ente querido que esteja lidando com essa condição requer uma sensibilidade bem diferente, diz Farchione. Uma maneira é fazer perguntas que os deixarão à vontade para se abrirem. "Se você realmente quer ajudar alguém, então a forma que você deve lidar com isso é se perguntando se você pode ser solidário com uma pessoa de forma que você permita a essa pessoa falar sobre o que ela está vivendo e por que ela está passando por isso", ele diz. "Em seguida, trabalhe com ela de forma gentil, para que ela pense sobre a ansiedade de uma forma diferente, e ofereça uma declaração de apoio que bata de frente com o que ela está pensando naquele momento."
  • "Eu sinto muito que você esteja passando por isso"
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    Parte do desafio com os transtornos de ansiedade e pânico é lidar com os ataques de pânico, episódios carregados de medo, que causam uma enorme sensação de pavor. Se você nunca experimentou um desses ataques — que podem ser também fisicamente debilitantes —, aproximar-se de um ente querido com simpatia, ao invés de preocupação, pode ser um método mais eficaz. "A pior coisa que você pode fazer é entrar em pânico e contribuir ao já alto nível de emoção que está ocorrendo", diz Farchione. "Isso é como jogar lenha na fogueira e pode parecer uma forma de falta de compaixão para com o que ele está enfrentando." Farchione salienta a importância de estar presente para o ente querido quando ele está passando por tal pressão. Os ataques de pânico, mesmo sendo assustadores, passam, ele diz. "Entrar em pânico com o pânico que ele sente não vai ajudar nesse processo."
  • "Não é culpa sua"
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    "É importante não diminuir a experiência deles", explica Farchione. "Ser solidário é estar disposto a ouvir o que eles têm a dizer e ser compreensivo. Mas, para chegar a esse nível de entendimento, isso envolve dar crédito ao que eles estão passando." No entanto, é importante reconhecer o sofrimento sem permitir que uma maior ansiedade se estabeleça, adverte Farchione. "Tenha cuidado para não ser cúmplice do medo dele", ele diz. "Ter entendimento não significa que tenhamos que acomodar seus medos, o que as famílias acabam fazendo com bastante frequência. Isso poderia alimentar a ideia de que, sim, há algo a temer."
  • "Deve ser muito difícil para você"
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    Frases como "isso deve ser muito difícil para você" ou "por favor, me diga o que eu posso fazer por você" pode aumentar sua credibilidade — um fator importante quando se trata de oferecer apoio genuinamente, diz Farchione. Muitas vezes queremos fazer algo a fim de ajudar um ente querido, quando tudo o que ele realmente precisa no momento é um ombro para se apoiar e o reconhecimento de que o que ele está passando é difícil. A empatia pode fazer uma enorme diferença para alguém que está se sentindo ansioso. "O paradoxo é, [uma frase de empatia] que ajuda a acalmar, porque eles não sentem que têm de lutar pela ansiedade deles", disse, Keith Humphreys, professor de psiquiatria da Universidade de Stanford ao HuffPost Heahtly Living. "Isso mostra um pouco de compreensão."
  • Silêncio
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    No fim das contas, Farchoine disse que não é necessariamente o que você diz o que realmente faz a diferença, mas como você demonstra seu apoio. Às vezes, o simples ato de emprestar um ouvido pode ser mais do que suficiente. "Esteja disposto a oferecer seu tempo a essa pessoa", ele diz. "Esse é um componente que passa muito desapercebido entre duas pessoas. Às vezes, o que é mais útil para alguém que sofre de ansiedade, é ter alguém para ouvir a sua experiência e é só isso."

 

Precisa de ajuda? Em todo o Brasil existe o CVV — Centro de Valorização da Vida. Basta uma ligação para 141 ou, se preferir, acessar um atendente especializado on-line no site cvv.org.br/site/chat.html.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.