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27/10/2014 11:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Com reeleição de Dilma, dólar chega a R$ 2,56 e Bovespa registra forte queda

RICARDO BOTELHO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚD

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar chegou a disparar mais de 4 por cento logo após a abertura dos negócios nesta segunda-feira, indo ao patamar de 2,56 reais e voltando às máximas desde 2008, após a presidente Dilma Rousseff (PT) vencer a disputa contra Aécio Neves (PSDB) e conquistar a reeleição.

Às 9h08, a moeda norte-americana subia 3,09 por cento, a 2,5318 reais na venda. Na máxima, chegou a subir 4,21 por cento, a 2,5605 reais, maior nível intradia desde 5 de dezembro de 2008, quando atingiu 2,6190 reais.

Já a Bovespa registrava fortes perdas logo após a abertura dos negócios nesta segunda-feira, com fortes ajustes de posições após a reeleição de Dilma Rousseff no domingo.

Às 10h28, o Ibovespa recuava 5,54 por cento, a 49.061 pontos, pressionado principalmente por ações de estatais como a Petrobras e por bancos.

Uma das principais insatisfações de operadores e analistas em relação às diretrizes econômicas do governo federal vinha do que consideram como intervenção excessiva nas estatais, que eles veem persistindo com a continuidade de Dilma no Palácio do Planalto.

Às 10h32, as preferenciais e ordinárias da Petrobras despencavam mais de 12 por cento cada. Banco do Brasil caía 10 por cento. Eletrobras PNB tinha queda de 11 por cento, enquanto o papel ON perdia 13,3 por cento.

De acordo com profissionais do mercado ouvidos pela Reuters nesta manhã, o mercado prefere vender enquanto aguarda os novos passos do governo para lidar com os significativos desafios no campo econômico. A expectativa é grande em torno do anúncio da nova equipe econômica, em especial de quem assumirá o lugar de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

"Se Dilma optar por um caminho diferente, pode conseguir acalmar o mercado. Caso insista em nomes que não são bem aceitos pelo mercado, teremos mais quatro anos extremamente ruins na economia. No primeiro momento, o mercado não irá dar o benefício da dúvida a ela", disse o gestor de um fundo no Rio de Janeiro, pedindo para não ser identificado.

Operadores não descartam que seja acionado o mecanismo de "circuit breaker", que controla a oscilação do Ibovespa, interrompendo as negociações por trinta minutos quando a queda alcança 10 por cento. Após esse intervalo, o índice volta a ser transacionado, mas se a queda alcançar 15 por cento, as operações voltam a ser suspendidas, desta vez com intervalo de 1 hora. Se a queda alcançar 20 por cento, ocorre a suspensão dos negócios por prazo a ser definido pela bolsa.

Nas semanas que antecederam o segundo turno, os mercados financeiros no Brasil viveram uma verdadeira montanha-russa, oscilando conforme os rumores e pesquisas de intenção de voto. O dólar fechou sexta-feira negociado na casa os 2,45 reais, mas chegou a 2,50 reais, enquanto o Ibovespa, acumulou na semana passada queda de 6,8 por cento.

Nos próximos dias, há quem acredite que a moeda norte-americana possa ir a 2,70 reais com a vitória de Dilma, segundo apurou a Reuters.