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27/10/2014 06:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Com o aval de 51 milhões de votos, Aécio Neves reinicia caminhada no Senado na busca por nova chance presidencial

MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO

Desde que o PT assumiu o governo federal, em 2003, o senador tucano Aécio Neves (MG) pode se dar ao luxo de dizer, passados os resultados deste domingo (26): “fui o rival mais próximo de destronar Lula e companhia”. De fato, pouco mais de 51 milhões de votos o fizeram perder a eleição presidencial para a presidente Dilma Rousseff (PT) por uma margem pequena de 3,5 milhões de eleitores.

A natural pergunta sobre o futuro de Aécio e do PSDB são naturais, mas não apresentam tantas dúvidas assim. Já estabelecido como uma liderança tucana antes mesmo deste pleito presidencial, o mineiro é naturalmente o principal nome de momento ao se projetar um candidato do PSDB para as eleições presidenciais de 2018 – as quais, já especula-se, podem ter a candidatura do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas antes de percorrer quatro anos, Aécio e toda a oposição ao governo federal no Congresso Nacional terão a missão de formar um grupo unido e com capacidade para, de fato, apresentar uma real oposição ao interesses do Palácio do Planalto. Se as bancadas de partidos da oposição cresceram na Câmara dos Deputados, no Senado a situação segue desconfortável.

O PMDB, com 19 representantes, e o PT, com pelo menos 12, seguem com maioria, ao passo que o PSDB, com seus 10 nomes, tentará polarizar uma postura mais ferrenha contra o governo ao lado principalmente de PSB (6) e DEM (5). Para Aécio, é importante ter um papel de liderança nesse processo, insistindo por exemplo em ações de sua autoria, como aquela que sugere transformar o programa Bolsa Família em lei – o que gerou críticas do governo em 2013.

Além de uma presença de destaque no âmbito legislativo, Aécio ainda terá de lidar com eventuais disputas internas no seu próprio partido. Um possível desafiante a uma candidatura presidencial é o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, cujo mandato termina em 2018. Derrotado por Lula em 2006, o tucano paulista anseia por uma nova oportunidade.

Dentre outros quadros, existem nomes que, de acordo com o andamento do jogo político e dos aspectos que pediram por mudança nestas eleições por uma 'nova política', poderiam representar um “rejuvenescimento” do PSDB, considerado um partido sem grandes lideranças jovens. Aqui se encaixariam Beto Richa e Marconi Perillo, governadores de Paraná e Goiás, respectivamente.

Aécio pode se considerar vitorioso nestas eleições, mesmo após o resultado final não ser o esperado por ele e pelos tucanos. Cabe a ele construir um novo ciclo de minimização dos erros que lhe custaram a vitória em 2014 – sintomática a derrota em Minas Gerais e a não otimização do potencial em Estados do Centro-Sul do País – e escapar ileso do eventual ‘fogo amigo’ interno no ninho do PSDB.

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