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25/10/2014 14:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Denúncia da 'Veja' é um processo golpista, afirma Dilma

Mario Tama via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - OCTOBER 24: Brazilian President and Workers' Party (PT) candidate Dilma Rousseff (R) waves to the audience prior to the debate with Presidential candidate of the Brazilian Social Democratic Party (PSDB) Aecio Neves on October 24, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. The two are squaring off in a run-off election on October 26. (Photo by Mario Tama/Getty Images)

A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), voltou a classificar a reportagem da revista Veja - segundo a qual ela e o ex-presidente Lula tinham conhecimento das irregularidades ocorridas na Petrobras - de "processo golpista" . De acordo com Dilma, a denúncia não coaduna com uma situação democrática.

Perguntada, em entrevista em Porto Alegre, sobre a possibilidade de vencer a eleição mas não poder governar em um eventual processo de impeachment, a presidente afirmou que a denúncia em si é absurda. "Tenho uma vida inteira que demonstra meu repúdio à corrupção. Não compactuo com a corrupção, nunca compactuei. Quero que provem que compactuo, e não esse tipo de situação que insinua sem provas", disse em coletiva na capital gaúcha, antes de participar de caminhada com militantes no centro da cidade.

Dilma disse que investigará "a fundo" tanto o caso da Petrobras como outros casos de corrupção do Brasil, "doa a quem doer". Segundo ela, o Brasil sempre engavetou ou deixou prescrever esse tipo de processo. "Comigo não vai acontecer isso", falou.

Visivelmente indignada, a presidente também disse que os responsáveis por injúrias e calúnias devem ser punidos. "Vou informar à nação, não dessa forma seletiva que permite que bandidos que tentam salvar a sua própria pele façam acordos políticos e digam coisas sem fundamento", afirmou, referindo-se ao doleiro Alberto Youssef, que assinou um acordo de delação premiada e teria feito acusações contra Dilma e Lula, segundo a revista Veja.

"Não se pode tratar uma presidente da República assim a três dias da eleição. Por que isso não apareceu antes, que história é essa?", questionou Dilma. "Minha indignação é proporcional à injustiça que estão cometendo e ao uso político que estão fazendo disso."

Dilma aproveitou para lamentar os atos de vandalismo na noite de ontem na sede da Editora Abril que publica a revista. "Não concordo, repudio todas as formas de violência como resposta e discussão política. Isso é uma barbárie, não deve ocorrer, deve ser coibido. Ou seja, nós só podemos aceitar um padrão de discussão que seja pacífico, com argumentos, e que defenda posições e não ataque uns aos outros", revelou.

Antes de responder às perguntas de jornalistas, Dilma fez uma "conclamação" para que haja participação massiva na votação de amanhã. "Do mais rico ao mais pobre, todos têm o mesmo poder diante das urnas", disse.

Após conversar com a imprensa, Dilma seguiu para uma caminhada pelo centro de Porto Alegre em um carro de som, acompanhada do governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição, e de militantes. Depois, ela segue para a casa da família na capital gaúcha.

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