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24/10/2014 15:11 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Ex-diretor diz que pagou R$ 20 mi a caixa 2 de Campos

EVARISTO SA via Getty Images
Pernambuco state governor Eduardo Campos, candidate of the Brazilian Socialist Party (PSB) for next October's presidential election, delivers a speech to businessmen at the National Industry Confederation headquarters in Brasilia, on July 30, 2014. Campos will face Brazil's President Dilma Rousseff, candidate of the Workers' Party (PT) and Senator Aecio Neves, candidate of the Brazilian Social Democratic Party (PSDB). AFP PHOTO/EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento da delação premiada dos autos da Operação Lava Jato, que intermediou, em 2010, o pagamento de R$ 20 milhões para o caixa 2 de campanha de Eduardo Campos (PSB), então candidato à reeleição ao governo de Pernambuco - Campos foi reconduzido ao cargo com 80% dos votos.

Segundo Paulo Roberto Costa, o operador da transação foi o ex-ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional do governo Dilma Rousseff, eleito senador pelo PSB de Pernambuco e ex-braço direito de Campos. Em 13 de agosto, candidato à Presidência, Campos morreu tragicamente num acidente aéreo.

Costa disse ao Ministério Público Federal - em um dos vários depoimentos prestados entre agosto e setembro - que Bezerra pediu a ele o dinheiro para ser usada na campanha à reeleição do então governador pernambucano.

O ex-diretor da Petrobras, que aceitou colaborar com a Justiça em troca da redução de pena, também apontou o envolvimento de pelo menos 32 deputados e senadores e o PT, o PSDB, o PMDB e o PP com os esquemas de propina nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A delação de Costa foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Ele disse que os R$ 20 milhões foram entregues a Bezerra pelo doleiro Alberto Youssef. Também alvo da Lava Jato, o doleiro está fazendo delação premiada e citou 28 parlamentares. Youssef está preso em Curitiba, desde 17 de março.

Na época, o ex-ministro Bezerra era secretário de Desenvolvimento do governo do Estado e presidente do Porto de Suape (entre 2007 e 2010), onde foi construída a refinaria. Era ele quem tratava institucionalmente com os responsáveis pela obra de Abreu e Lima.

Iniciada em 2008, a obra ainda não foi concluída, mas já está com superfaturamento, segundo relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Procuradoria da República.

Costa era quem presidia o conselho de administração da Refinaria Abreu e Lima S/A, empresa constituída pela Petrobras para tocar as obras avaliadas inicialmente em R$ 2,5 bilhões e que já consumiu mais de R$ 20 bilhões, segundo o Ministério Público Federal.

Bezerra foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco até 2011. Depois foi indicado por Campos para ocupar o cargo de ministro da Integração Nacional.

Como presidente de Suape e secretário de Estado, era ele quem negociava diretamente com a Petrobras e a empresa criada para tocar a obra, que tinha Paulo Roberto Costa como presidente do Conselho de Administração.

À Justiça Federal, na ação penal sobre superfaturamento, desvios de recursos na obra, Costa e Youssef revelaram que o PT, o PMDB e o PP lotearam as diretorias da Petrobrás e montaram um esquema de propina paga por construtoras que abasteceu o caixa 2 dos partidos, principalmente para campanha de 2010.

A empresa é a mesma apontada por Costa por ter pago o achaque de R$ 10 milhões que teria sido feito entre 2009 e 2010 pelo então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, para abafar a CPI da Petrobrás. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.