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23/10/2014 16:59 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Mãe de atirador de Ottawa escreve carta sobre filho e chora pelas vítimas do ataque

Um dia depois do ataque ao parlamento canadense ter chocado o país, a mãe do atirador disse que chora pelas vítimas do ataque, e não pelo filho Michael Zehaf Bibeau, 32.

Michael foi morto depois de ter matado um soldado e realizado mais de 30 disparos.

Em email à agência Associated Press, Susan Bibeau disse estar devastada pelas vítimas do ataque. "Estou muito brava com meu filho. Não entendo, e parte de mim quer odiá-lo agora", disse. Ela declarou não ter uma relação próxima com o filho, dizendo que ele parecia perdido e "não se encaixava".

Segundo o Huffington Post CA, o autor do ataque é Michael Zehaf-Bibeau, um quebequense que se converteu ao islã e já foi condenado por porte de maconha e outros delitos considerados leves.


Abaixo, a carta dos pais do atirador de Quebéc

"Olá, eu estou escrevendo esta nota em meu nome e no do meu marido.

Não há palavras para expressar a tristeza que estamos sentindo nesse momento. Estamos tão tristes por um homem ter perdido sua vida. Ele perdeu tudo e deixa uma família que não deve estar sentindo nada além de dor e pesar.

Enviamos nossas mais profundas condolências a eles, apesar de as palavras parecerem bastante inúteis agora.

Estamos, nós dois, chorando por eles. Também queremos pedir perdão por toda a dor, o medo e o caos que ele criou. Não temos explicações para oferecer.

Estou brava com nosso filho. Não entendo, e parte de mim quer odiá-lo nesse momento. Você diz que nosso filho era vulnerável, nós não sabemos, ele estava perdido e não se encaixava. Eu falei com ele na última semana durante um almoço, e não havia me encontrado com ele nos últimos cinco anos antes disso.

Então tenho muito pouco a oferecer. Não queremos fazer parte de nenhum circo midiático, não achamos que isso irá acrescentar algo à conversa.

Por favor, respeitem nossa privacidade, apesar de alguns acharem que não merecemos isso. Mais uma vez, pedimos perdão."

Susan Bibeau e Bulgasem Zehaf.

Entenda o que aconteceu

Um atirador vestido de preto com o rosto coberto com um lenço matou um soldado que fazia guarda no Memorial de Guerra, a cerca de dois quarteirões do Parlamento. Depois invadiu o bloco central do Parlamento e efetuou ao menos 30 disparos antes de ser morto pelo chefe de segurança.

O ataque parou o centro da capital canadense, que foi fechado por causa das suspeitas de que houvesse outro atirador à solta.

O sentimento de paranoia desta quarta (22) foi insuflado pelas sombras de outra ameaça recente à segurança do país: na segunda (20), um suposto militante islâmico atropelou dois soldados canadenses. Um morreu. Segundo a polícia, o motorista declarou ser um canadense convertido ao islã.

O Parlamento foi fechado, o centro da cidade foi isolado e bases militares canadenses foram temporariamente desativadas.

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, classificou os ataques como "terroristas". O temor dos canadenses é que o país esteja sofrendo represálias por apoiar militarmente a ofensiva dos EUA à facção terrorista Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

(Com agências de notícias)