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22/10/2014 09:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Morre, aos 93 anos, Ben Bradlee, editor do Washington Post que supervisionou cobertura do caso Watergate

Brad Barket / Getty Images

Morreu nesta terça-feira (21), aos 93 anos, o ex-editor executivo do Washington Post Ben Bradlee, supervisor da cobertura feita pelo jornal do escândalo de Watergate - que resultou na renúncia do presidente dos Estados Unidos Richard Nixon.

A morte de Bradlee de causas naturais em sua casa, em Washington, foi divulgada pelo Post, que relatou no mês passado que ele tinha começado a receber tratamento especializado. Ele sofria de mal de Alzheimer havia vários anos.

Como editor executivo de 1968 até 1991, Bradlee transformou o Post de um sisudo diário em uma das publicações mais dinâmicas e respeitadas nos Estados Unidos.

Segundo o obituário publicado no Post, "seu charme e seu talento para a liderança, o ajudaram a contratar e inspirar uma equipe talentosa e, eventualmente, fizeram dele um o mais celebrado editor de sua era".

O trabalho de Bradlee ao orientar os jovens repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein na investigação do arrombamento da sede do Partido Democrata, no complexo residencial e de escritórios de Watergate, os conduziu até Casa Branca, sob a presidência de Nixon, e tem sido celebrado até hoje nas escolas de jornalismo e em Hollywood.

O Post ganhou um Prêmio Pulitzer pela cobertura do escândalo Watergate, que ligou Casa Branca a um escândalo de espionagem e sabotagem, e levou Nixon a renunciar, sob a ameaça de impeachment em agosto de 1974. Foi a única renúncia de um presidente na história americana.

Outro fato marcante na trajetória do editor foi a decisão de publicar em 1971 documentos secretos do Pentágono sobre a Guerra do Vietnã – mesmo com uma forte pressão de Nixon. Alegando que a divulgação das informações poderia prejudicar a segurança nacional, o governo americano tentou a todo custo impedir a publicação. A questão foi parar na Suprema Corte, que decidiu a favor do jornal e da liberdade de imprensa.

Repercussão

A morte de Bradlee repercutiu entre os meios de comunicação americanos, e nas redes sociais.

O presidente dos EUA, Barack Obama, lamentou a morte do jornalista. "Para Benjamin Bradlee, o jornalismo era mais do que uma profissão - era um bem público vital para nossa democracia", disse em nota.

No ano passado, Bradlee foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade – a maior honraria civil nos Estados Unidos.

ben bradlee obama

Bob Woodward e Carl Bernstein também se manifestaram, e disseram que Bradlee tinha "a coragem de um exército".

Com informações da Reuters