NOTÍCIAS
20/10/2014 02:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

#DebateNaRecord: De olho no eleitorado ainda indeciso e cansado de baixaria, Aécio e Dilma fazem ‘acordo velado' em embate morno

Montagem/Estadão Conteúdo

O domingo (19) foi de calor escaldante em São Paulo e a chuva que caiu na capital paulista à noite ajudou a diminuir o desconforto causado pelas altas temperaturas. De certa forma, o tempo poderia ser um prenúncio do que viria a acontecer no #DebateNaRecord, realizado na noite deste domingo na emissora paulista. Foi o terceiro de quatro encontros de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) e foi, de longe, o mais calmo de todos. De tão inesperado, até choveu na capital paulista.

O tom que foi quente no #DebateNaBand e foi a níveis perigosos no #DebateDoSBT causava a impressão de que o tempo fosse fechar – desta vez falando de maneira figurada – dentro do estúdio da Record. Entretanto, desde a primeira pergunta do primeiro bloco, consideravelmente longo, tudo indicava que as assessoria de Aécio e Dilma haviam feito a lição de casa após o clima vulcânico ter deixado algumas ‘marcas’ em ambos.

Não por acaso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve trabalho ao longo da semana passada (veja aqui e aqui), justamente pelo tom agressivo de ambas as candidaturas. Nas redes sociais, não foram poucas as pessoas que postaram mensagens nas quais se diziam desacreditadas ou que, simplesmente, anulariam o seu voto. Afinal, ninguém quer ter de escolher entre dois candidatos que parecem querer destruir um ao outro em praça pública, certo?

Nunca é demais lembrar que quase 40 milhões de votos no primeiro turno acabaram sendo anulados, ficaram em branco ou foram resultado de abstenções. Essa massa potencial, em uma eleição na qual os três principais institutos de pesquisa – Ibope, Datafolha e Vox Populi – apontaram empates técnicos em seus mais recentes levantamentos, faz com que exista uma grande massa a ser conquistada por petistas e tucanos.

Assim sendo, na Record os dois presidenciáveis evitaram as críticas pessoais – ninguém falou nos parentes de ninguém pela primeira vez no segundo turno. No primeiro bloco, houve um ensaio de debater propostas, com temas como o Supersimples e as leis trabalhistas. A inflação também deu o ar da graça, e cada candidato argumentou sendo o seu próprio interesse, com Aécio reforçando os problemas econômicos e Dilma enfatizando os ganhos e o que foi feito.

A guerra dos números se manteve, como nos debates anteriores, segundo cada qual parecia ter uma porção de dados e tabelas em verdadeiros calhamaços de papéis que portavam em suas mãos. Enquanto o rival falava, não era incomum sorrisos irônicos, feições de desacordo e, claro, muitas anotações. Provavelmente o clima só esquentou mesmo com as questões relativas ao escândalo da Petrobras, o qual foi a principal peça usada pelo tucano contra a petista. Sem vencedores aqui também.

Apesar da evolução na conduta dos candidatos – preocupados com os índices de rejeição –, é improvável que temas importantes e que foram levantados no primeiro turno, como as questões relativas à comunidade LGBT e as drogas, venham a ser abordadas nesta reta final. O último debate acontece na próxima sexta-feira (24), na Rede Globo, e o tom deste último confronto deve depender da série de pesquisas previstas para esta semana.

Mantido o equilíbrio até lá, não será surpreendente um novo encontro civilizado entre Aécio e Dilma. Todavia, algum indicador de vantagem para um lado ou outro ainda deve servir de cautela aos que acham que a baixaria possa ter sido apenas passageira neste segundo turno presidencial.

LEIA TAMBÉM

- Nível sobe no #DebateNaRecord com debate de assuntos econômicos no primeiro bloco e mais uma guerra de números

- Em debate sério na Record, Aécio e Dilma divergem sobre políticas de segurança pública para o Brasil

- #DebateNaRecord: os principais memes do debate dos presidenciáveis deste 2º turno na TV Record

- Após 50% dos debates na TV, políticos enxergam discussão de ‘biografias' ao invés de baixarias entre Dilma e Aécio