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19/10/2014 14:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Após 50% dos debates na TV, políticos enxergam discussão de ‘biografias' ao invés de baixarias entre Dilma e Aécio

Montagem/Estadão Conteúdo

Falta exatamente uma semana para o Brasil conhecer o seu próximo governante pelos próximos quatro anos. Restam também apenas mais dois debates na televisão, o primeiro neste domingo (19), às 22h, na Rede Record, e outro na sexta-feira (24), na Rede Globo. Passados 50% dos encontros televisivos entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), o sentimento do eleitor não-polarizado é de decepção.

Ao invés de um debate de ideias e propostas, os encontros na Rede Bandeirantes e no SBT, na semana passada, mostraram dois candidatos sedentos por desconstruir um ou outro, apontando os erros e procurando otimizar os próprios acertos. Como diria a candidata do PSOL, Luciana Genro, em várias ocasiões no primeiro turno: “é o sujo falando do mal lavado”. Contudo, a classe política dos dois partidos não concorda que o nível tem sido baixo.

Questionado sobre isso pela reportagem do Brasil Post após o debate da Band, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad preferiu ver o que chamou de “debate de biografias”, e não de baixarias. E ele acredita que tal confronto é importante.

“Acho que proposta é uma coisa importante, mas quem faz a proposta também é importante. Então o debate sobre a biografia de cada um ajuda a saber se é crível cada proposta que é feita. Quando a Dilma faz uma proposta, eu sei quem é ela e se ela irá honrá-la. Não considero que tenha havido algum rebaixamento, acho que foi um debate de bom nível”, avaliou o petista.

Do lado oposicionista, o senador José Agripino (DEM-RN), um dos coordenadores da campanha de Aécio, também contemporizou a impressão de que exista mais baixaria do que um confronto sério de propostas. “Trata-se da presidente da República e de um ex-governador, de um candidato a presidente que tem um mote de vida, tem um objetivo na sua candidatura. É possível que existam momentos ácidos? É possível, é do debate, mas acho que fundamentalmente vai se debater fatos, verdades e circunstâncias”.

De lado a lado, há quem discorde...

Entretanto, foi sintomático o fato de Dilma ter passado mal após o debate do SBT, na última quinta-feira (16). Pouco ou quase nada foi proposto ao eleitor que acompanhava em casa o que mais pareceu um “bate-boca de vizinhos”. Assim, tanto do lado do PT quanto do PSDB as justificativas são diversas quanto ao teor e o tom do que têm se visto até aqui. Analistas consultados pelo Brasil Post no início do segundo turno já alertavam para o que chamaram de uma disputa “dura e muito suja”.

“Dilma está querendo fugir dos problemas. Ela sempre parecia candidata ao governo de Minas Gerais, tentando se esquivar das suas responsabilidades, e o Aécio a luta dele é trazer o debate para o Brasil de hoje, o Brasil do futuro”, avaliou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), vice de Aécio. O próprio candidato tucano, aliás, vem reforçando que a culpa pelo nível dos dois debates até aqui é justamente da campanha petista.

“Eu estou aqui nesse debate como candidato à Presidência da República, para governar o Brasil, e não consigo entender o que pretende a candidata Dilma. Ela não consegue falar de uma proposta a respeito de absolutamente nada, não sei se mal orientada pelo seu marqueteiro, ou nervosa demais. É a campanha dos ataques e do passado (...). Eu preferia fazer um debate propositivo, sobre o Brasil do futuro, mas eu não me nego a dar resposta sobre qualquer questão”, destacou.

Como era de se esperar, os petistas empurram a culpa para o outro lado. Para o ministro licenciado da Casa Civil, Aloizio Mercadante, os debates são importantes por serem o momento em que o eleitor “pode avaliar a biografia e trajetória, e as posições”. Sobre a desconstrução de Aécio, ele afirmou que “as informações estão disponíveis para todo mundo” e que há, do lado tucano, um “choro típico de quem começa a perder o jogo e diz que a culpa é do juiz”.

... e quem fomente o tom crítico dos debates

Longe das câmeras, partidários dos dois partidos não escondem algumas das estratégias que remontam aquilo que se vê representado por Dilma e Aécio quando começam as transmissões. É inevitável que algumas opiniões não denotem que há, sim, um enorme acirramento em andamento – o que não chega a surpreender, salvo pelo tom prioritário em desqualificar e destruir, ao invés de argumentar e construir.

“Gente, tem tanta coisa do Aécio em Minas, tantas coisas, tanta pisada da bola dele por lá, que nem precisa se preocupar com São Paulo”, disse, de maneira descontraída, o vereador José Américo (PT-SP). Colega de Câmara em SP, Andrea Matarazzo (PSDB), destacou que é preciso estar atento até o último dia de eleição, e preparado para tudo. Tudo mesmo. “O comportamento dele (Aécio) é de tentar fazer propostas. O que a gente vê é que ele não consegue em razão do clima que a adversária (Dilma) impõe ao debate”.

Ao eleitor, que ainda pretende acompanhar os dois debates que restam, antes de se dirigir às urnas no dia 26 de outubro, o cenário não parece indicar algum alento – ou seria arrefecimento – dos confrontos. “Nós vamos continuar discutindo, a diferença dos dois projetos”, comentou o presidente do PT, Rui Falcão. “Eu estarei sempre pronto para debater propostas, mas sempre para refutar a mentira e os ataques”, finalizou Aécio.

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